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Jorge, Ricardo Almeida Versão para impressão Enviar por E-mail

Ricardo de Almeida Jorge (Porto, 9 de Maio 1858 – Lisboa, 29 de Julho 1939)

Autoria: Maria Antónia Pires de Almeida

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Palavras-chave: Médico, Professor, Higienismo, Epidemias, Saúde Pública, Lisboa, Porto, Instituto Central de Higiene

Período: 1858-1939

Biografia

Filho de um ferreiro na Rua do Almada, Ricardo Jorge entrou aos oito anos para o Colégio da Lapa, onde foi aluno de Ramalho Ortigão na disciplina de Francês e de Manuel Rodrigues da Silva Pinto em Português. Frequentou o Liceu de Santa Catarina, onde se tornou amigo de Júlio de Matos. Com 16 anos matriculou-se no curso de Medicina da Escola Médico-Cirúrgica do Porto, onde foi um foi um aluno brilhante entre 1874 e 1879, e conquistou vários prémios académicos. A sua dissertação de licenciatura intitulou-se Um ensaio sobre o nervosismo. Em 1880 competiu pelo lugar de substituto da Secção Cirúrgica da mesma Escola, com a apresentação do trabalho Localizações Motrizes no Cérebro. Depois de aprovado, iniciou a sua carreira de Professor na Escola onde se formou, leccionando as cadeiras de Anatomia, Histologia e Fisiologia Experimental, ao mesmo tempo que se dedicava à prática clínica. Desenvolveu também estudos sobre o diagnóstico e tratamento das doenças do sistema nervoso pela hidroterapia, electricidade e ginástica, os quais colocou em prática ao fundar, em colaboração com o Professor Augusto Henrique de Almeida Brandão, o Instituto Hidroterápico e Electroterápico nas dependências do Grande Hotel do Porto em 1881 (Ricon-Ferraz 2010, pp. 15-16).

Ao longo da sua carreira participou em vários congressos internacionais e realizou diversas viagens de estudo ao estrangeiro, às quais chamava as suas “digressões sanitárias” (Diário de Notícias, nº 18.775, 21/02/1918). Logo em 1883 deslocou-se a Estrasburgo, onde visitou os laboratórios de Anatomia Patológica de Recklinghausen e Waldeyer, e depois a Paris, onde conheceu o neurologista Charcot e assistiu às suas lições. De volta ao Porto, leccionou a cadeira de Anatomia dos Centros Nervosos e criou o pioneiro Laboratório de Microscopia e Fisiologia do Porto.

Casou com Leonor Maria dos Santos e teve dois filhos: Artur Ricardo Jorge, nascido em 21 de Julho de 1886, médico e professor de Botânica e Zoologia na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa e Ministro da Instrução no breve período de 17 de Junho a 9 de Julho de 1926, em que Gomes da Costa ocupou o poder na Ditadura Militar; e Ricardo Jorge Júnior, nascido em 21 de Agosto de 1888, casado com Maria Isabel Ortigão Ramos, com dois filhos.

Na sequência das polémicas levantadas com a instalação dos cemitérios no Porto, em 1884 Ricardo Jorge promoveu quatro conferências dedicadas aos temas da “Higiene em Portugal”, “A Evolução das Sepulturas”, “Inumação e Cemitérios” e “Cremação”, com as quais demonstrou que os cemitérios não colocavam em risco a saúde pública. Estas conferências foram publicadas no livro Higiene Social Aplicada à Nação Portuguesa, amplamente divulgado, e no qual o seu autor concluiu, depois de estudar as condições de sanidade locais, que era absolutamente necessária a intervenção do Estado para a criação de um sistema de saneamento. A seriedade do seu estudo e o nível das propostas apresentadas fizeram de Ricardo Jorge um dos mais prestigiados higienistas portugueses, com larga influência nas políticas de saúde em Portugal. Neste livro Ricardo Jorge relata a História da Medicina e da Higiene desde os gregos, passando pela “imunda” Idade Média. O seu estilo raiava o literário, não se limitando, mesmo nos seus relatórios científicos sobre problemas sanitários e higiénicos ou sobre epidemias, à linguagem pura e dura de um homem da ciência. Pelo contrário, inseria sempre figuras de estilo e tentava dar alguma beleza ou mesmo lirismo aos textos, “resultando textos quase poéticos, mesmo quando a matéria é o seu contrário” (Reis 2010, p. 34).

Estas caraterísticas foram comentadas por Camilo Castelo Branco, quando escreveu que “O estilo de Ricardo Jorge desatrema de tudo que se conhece em oratória parlamentar, em dialéctica académica, em eloquência cívica dos clubes e até em oratória de púlpito...”, na obra Serões de S. Miguel de Seide. A obra Higiene Social… incluiu frases como: “Higiene: filha dilecta da civilização moderna, intimamente relacionada com o desenvolvimento das ciências, das artes e das indústrias”. Ou, num comentário sobre a Lei de Polícia Higiénica de 1868: um “verdadeiro escândalo da ciência, do senso comum e da saúde pública”. Mais tarde, num relatório sobre a epidemia de tifo exantemático no Porto em 1918, dirigido ao Conselho Superior de Higiene, Ricardo Jorge descreveu a doença como “epidemia expansiva, derramada e fogueada pela cidade (…) Se se tratasse, como tantas vezes acontece, felizmente, dum simples foco de tabardilho, o golpe de mão praticado a ponto pela delegação poderia ter extirpado o infeccionamento à nascença. Mas a sementeira do mal lograra já germinar por largo; o feixe mórbido da rua da Aliança fora apenas um rebento que a vigilância sanitária surpreendera…”! (Diário de Notícias, nº 18.775, 21/02/1918).

Além da sua escrita com toques literários, Ricardo Jorge expunha as suas opiniões com grande convicção, o que lhe grangeou algumas inimizades. No entanto, a maioria das reacções às suas obras era de admiração, pelo rigor e pelo enquadramento histórico das doenças ou dos temas que estava a descrever, com estatísticas, citação de autores, e outros elementos fundamentais para a contextualização.

A sua vasta obra, que abrange toda a sua carreira e tem até algumas publicações póstumas, demonstra a variedade dos interesses de Ricardo Jorge. Incidindo maioritariamente sobre as especialidades da Higiene e Epidemiologia, e também sobre Medicina Geral, a lista de mais de sessenta títulos inclui mais de uma dezena de obras literárias e outro tanto de História e de biografias de figuras ilustres da medicina e mesmo das artes e da literatura. Escreveu ainda sobre Demografia, sobre as termas do Gerês e colaborou regularmente nas revistas Clínica, higiene e hidrologia, dirigida por Armando Narciso e publicada entre 1935 e 1957, Revista Científica, dirigida por Teófilo Braga e Julio de Mattos, publicada mensalmente no Porto entre 1882 e 1982, A Medicina Contemporânea (1882-1974), Lisboa Médica, entre outras. Teve também o cuidado de publicar no estrangeiro e em várias revistas internacionais, como o Bulletin Mensuel de l’Office International d’Hygiène Publique.

No que diz respeito ao interesse de Ricardo Jorge pelo termalismo e hidrologia, em 1886 o químico Adolfo de Sousa Reis pediu-lhe para comentar a sua análise às águas das Caldas do Gerês. A sua conclusão sobre as mesmas foi tão favorável que Ricardo Jorge decidiu, junto com o seu colega Marcelino Dias, o referido químico Sousa Reis e o capitalista Manuel Joaquim Gomes, pedir a concessão destas termas. Em 1888 o Governo adjudicou-lhes o contrato de exploração por cinquenta anos. Ricardo Jorge exerceu o cargo de director clínico da Companhia das Caldas do Gerês entre 1889 e 1892. No entanto, as suas qualidades como empresário revelaram-se fracas e a companhia abriu falência em 1893 (Matos 2010, pp. 75-76).

Pouco depois das referidas conferências sobre higiene, Ricardo Jorge foi convidado pela Câmara Municipal do Porto para tomar parte de uma comissão de estudo sobre as condições sanitárias da cidade, no âmbito da qual produziu um inquérito sobre as condições de salubridade urbana. O respectivo relatório final, intitulado O Saneamento do Porto, foi publicado em 1888. Em 1891 foi nomeado médico municipal do Porto, cargo que desempenhou até 1899. E em 1892 foi convidado também pela Câmara Municipal do Porto para os cargos de Director dos Serviços Municipais de Saúde e Higiene da Cidade do Porto e do Laboratório Municipal de Bacteriologia. No âmbito destas actividades publicou a série do respectivo Anuário do serviço municipal de saúde e higiene da cidade do Porto e um Boletim Mensal de Estatística Sanitária do Porto.

Em 1895 foi nomeado Professor Titular da cadeira de Higiene e Medicina Legal da Escola Médico-Cirúrgica do Porto.

Em 1899 publicou uma das obras fundamentais para a compreensão dos problemas sanitários da cidade: Demografia e Higiene da Cidade do Porto: clima, população, mortalidade. Nesta, o autor descreveu a história da cidade e aprofundou a questão das ilhas como causa para a proliferação de doenças e epidemias, com especial destaque para a tuberculose. O levantamento das condições de vida e higiene das populações que residiam nestes bairros levaram-no a apelidar o Porto de “cidade cemiterial”, devido às péssimas condições sanitárias que ele encontrou. Este seu trabalho, juntamente com os de Arantes Pereira e do Conde de Samodães, provedor da Santa Casa da Misericórdia do Porto, ajudaram a influenciar a Rainha D. Amélia na criação, nesse mesmo ano, da Assistência Nacional aos Tuberculosos e à construção de sanatórios para os doentes (Almeida 2006, p. 77).

Em Junho de 1899 manifestaram-se vários casos de peste bubónica no Porto, diagnosticada pelo médico municipal e director do posto de desinfecção pública do Porto, o Dr. Ricardo Jorge. Foram imediatamente encomendados ao Instituto Pasteur de Paris “duzentos tubos do soro Yersin”, o qual, segundo a opinião de Ricardo Jorge, não dava “os resultados lisongeiros que a princípio se divulgaram” (Diário de Notícias, nº 12102, 18/08/1899, p. 1). O soro Yersin tinha sido desenvolvido por Alexandre Emile Jean Yersin, um médico Suiço que tinha isolado o bacilo da peste bubónica em 1894 em conjunto com Kitasato Shibasaburō, após investigação sobre esta doença na China. Durante a epidemia de peste em Macau em 1898 o soro já fora testado. No entanto, a sua eficácia dependia da rapidez da aplicação, logo nos primeiros dias da doença, e funcionava melhor ainda como preventivo, como foi usado pelos médicos franceses que se deslocaram ao Porto para estudar a evolução da epidemia: “o dr. Calmette, que vem ao Porto, delegado do Instituto Pasteur, de Paris, estudar a epidemia da peste bubónica. O ilustre bacteriologista, que é uma notabilidade científica francesa (vem acompanhado do) dr. Salemberie, preparador ajudante do dr. Roux, no Instituto Pasteur, de Paris. (…) O dr. Calmette tem a mais inteira confiança na eficácia do soro anti-bubónico, aplicado principalmente como preservativo. (…) declararam que estão imunes do contágio de peste por 15 dias, por isso que se vacinaram em Paris” (Diário de Notícias, nº 12118, 03/09/1899, p. 1). Ainda nesse mês os próprios filhos de Ricardo Jorge foram vacinados pelo Dr. Calmette com este soro, assim como alguns comerciantes do Porto (ibidem, nº 12139, 24/09/1899).

Apesar da confiança dos médicos franceses neste soro, Ricardo Jorge conhecia bem as condições em que a doença se desenvolvia e os grupos mais afectados: “As classes trabalhadoras, miseráveis e mais imundas, ou nos seus hábitos ou na casa em que residem”. Por esse motivo, foram imediatamente postas em práticas medidas sanitárias rigorosas obrigando à higiene pessoal (com a construção de balneários públicos) e para o combate aos agentes transmissores da doença: os ratos e as pulgas. Um pormenor interessante do combate à epidemia foi a caça aos ratos e aos gatos, que fez as crianças do Porto e de Lisboa ganharem algum dinheiro: por cada rato grande entregue numa esquadra de polícia recebiam 20 réis, por cada pequeno 10, o que motivou uma colheita diária considerável (Diário de Notícias, nº 12160, 15/10/1899, p. 1). Ao mesmo tempo criou-se um cordão sanitário à volta do Porto, defendido pelo exército, e suprimiram-se todos os comboios de recreio, todas as “feiras, romarias e outros ajuntamentos”, e impôs-se uma inspecção médica a todos os passageiros e empregados dos comboios, que tinham de cumprir uma quarentena de nove dias (Diário de Notícias, nº 12102, 18/08/1899, p. 1). Sem dúvida, a grande aposta de Ricardo Jorge foi na prevenção da disseminação da doença, isolando os doentes e a própria cidade, na linha dos trabalhos de Pasteur, Koch, Roux, Bernardino António Gomes e outros que “desenvolveram a farmacoterapia e recorreram ao experimentalismo e contribuiram para uma nova ordem congnitiva e terapêutica (…) o controlo da doença no sentido da sua prevenção e, ainda, a doença vista numa perspectiva médico-social, ou higienista, assumiu uma particular valorização” (Pereira e Pita 1993, p. 662).

O século XIX foi a época das grandes pandemias e o Porto, pelas suas condições especiais, ligadas à actividade comercial e à industrialização, ao crescimento demográfico e às deficientes condições sanitárias, foi uma das cidades que mais sofreu com as sucessivas epidemias e doenças endémicas que afligiam a população e elevavam as taxas de mortalidade. Desde a epidemia de cólera que se espalhou pela Europa em 1832 e chegou ao Porto nos navios de soldados belgas que ajudaram os Liberais na Guerra Civil (Gomes, 1866, p. IV), que esta cidade suportou vários cordões sanitários e quarentenas. Durante o Cerco do Porto, e depois quando se espalhou pelo país, a epidemia de cólera acabou por causar mais de 40.000 mortos, um número mais elevado do que o da própria guerra. Depois desta seguiram-se mais oito vagas epidémicas por toda a Europa, disseminadas por indivíduos com profissões de alta mobilidade, como soldados, marinheiros, comerciantes ou pedintes, e intensificadas pela falta de higiene nas casas e nas ruas, pelo uso de água e alimentos contaminados e pela concentração dos doentes em pequenos espaços (Cascão, 1993). Os Estados reagiram, por vezes de forma divergente, com medidas restritivas que privilegiavam os cordões sanitários e as quarentenas, e que tinham consequências económicas por vezes tão devastadoras como a própria doença. A comunidade médica internacional, se bem que beneficiasse de uma circulação bastante regular do conhecimento, pelo menos entre os países europeus e da América do norte, verificou a falta de capacidade de resposta prática à doença. A partir de 1851 as potências europeias começaram a enviar os seus melhores especialistas a Conferências Sanitárias Internacionais que visavam a discussão científica e a “uniformização das medidas que, sem pôr em risco as populações, minimizassem as demoras e os incómodos que sujeitavam o comércio internacional”. Estas conferências, iniciadas em Paris e repetidas em Constantinopla em 1866, Viena em 1874, Washington em 1881, Roma em 1885, Veneza em 1892, Dresden em 1893 e de novo em Veneza em 1897, revelaram “um conhecimento científico em constante mutação” e “posições nacionais divergentes e mutáveis ao longo do tempo. As grandes potências europeias – Inglaterra, França e mais tarde a Alemanha – posicionaram-se em campos por vezes antagónicos pressionando os países mais pequenos e periféricos a prescindirem da severidade das medidas quarentenárias” (Garnel, 2009).

Em Portugal defenderam-se e puseram-se em prática as medidas restritivas à liberdade de circulação nestes períodos epidémicos, contra a posição de países mais liberais como a Inglaterra ou a os estados alemães. Enquanto desde o século XVI o contágio das doenças fora defendido, o século XIX viu surgir uma nova geração de cientistas que o negaram, baseando-se na ineficácia das quarentenas e dos cordões sanitários. Baseados em experiências várias, incluíndo no seu próprio corpo, e imbuídos do espírito liberal da época, os cientistas defensores do “anti-contagionismo” lutaram pela liberdade do indivíduo e do comércio, contra o despotismo e a reação (Ackerknecht, 1948). Verificou-se assim, numa clara associação entre teorias anti-contágio e interesses comerciais, que os governos do norte da Europa, mais liberais e progressistas, avançaram com políticas higienistas, abolindo quarentenas e cordões sanitários, enquanto os do sul da Europa, mais conservadores, mantiveram as práticas correspondentes à teoria do contágio. Sem dúvida que a teoria anti-contágio apresentou aspectos positivos, uma vez que os países que a defenderam colocaram em prática grandes operações sanitárias dirigidas especificamente contra a sujidade, as quais acabaram por ser eficientes na prevenção das subsequentes epidemias. Por isso, mesmo quando os trabalhos de John Snow fizeram retomar a teoria do contágio, que foi readmitida pela maioria dos cientistas a partir de 1865, os conceitos higienistas continuaram a ser considerados fundamentais e foram postos em prática com cada vez maior intensidade.

O Porto sempre reagiu contra as medidas restritivas impostas pelo poder central. Em todos os surtos epidémicos o isolamento da cidade e as proibições de feiras e mercados foram contestados pelos comerciantes, pelos industriais e pela população como algo extremamente prejudicial que punha em causa a sobrevivência não só dos negócios, mas das próprias pessoas. Assim, a posição oficial das elites do Porto sempre foi de negação do contágio. Neste caso, perante a evidência e na incapacidade de negar a contagiosidade da peste bubónica, a posição das autoridades locais e dos representantes dos industriais e dos comerciantes foi a negação da doença em si. De facto, com as medidas radicais postas em prática por Ricardo Jorge logo nos primeiros dias do surto epidémico, a doença não se espalhou e teve uma mortalidade reduzida (326 casos, dos quais 111 óbitos, Diário de Notícias, nº 12267, 31/01/1900), o que contribuiu para as afirmações locais de que não se tratava de uma epidemia.
No entanto, os banhos obrigatórios, as casas e roupas queimadas quando os médicos e os subdelegados de saúde realizavam visitas domiciliárias, acompanhados pela polícia, e encontravam um doente de peste, e o isolamento forçados dos doentes e de todos os seus familiares e vizinhos em hospitais especiais, todas estas acções eram motivo de grande revolta popular, que provocaram cenas de autêntica guerra civil. Por exemplo: “juntou-se muito povo, que acompanhou o préstito fúnebre e durante o trajecto protestando contra as medidas sanitárias postas em vigor. Os manifestantes dirigiram-se para a rua de Gonçalo Cristóvão e aí apedrejaram a casa onde reside um médico, quebrando os vidros das janelas. Forças de cavalaria e infantaria da guarda municipal e alguns guardas-civis fizeram restabelecer a ordem (...) Ontem de tarde, próximo do edifício do Laboratório Municipal, à rua do Laranjal, onde está instalada a repartição de saúde e higiene, juntou-se bastante povo (...) chegou ao local uma força de cavalaria da guarda municipal, que pôs tudo em debandada (...) Quando o snr. dr. Ricardo Jorge retirou da repartição, foi o seu trem seguido de uma força de cavalaria da guarda municipal, a fim de evitar quaisquer manifestações àquele clínico. (...) foi ouvida a detonação de uma bomba que explodiu para o lado dos Loios... (O Comércio do Porto, nº 198, 22/08/1899, p. 2).
“No Porto parece que até já está sendo alvo de injúrias, de apupos e de ameaças o notável e dedicadíssimo homem de ciência que teve a coragem e a abnegação de dizer a verdade no meio daqueles que a pretendiam teimosamente ocultar, movidos por mesquinhos interesses particulares” (Diário de Notícias, nº 12105, 21/08/1899, p. 1).

Dois dias depois Ricardo Jorge recebeu a solidariedade dos médicos do Porto, num telegrama que dizia: “A associação dos médicos portugueses, considerando que o professor Ricardo Jorge, na presente epidemia de peste bubónica aparecida no Porto, tem desde o princípio norteado o seu procedimento pelo que a ciência e o dever profissional lhe impunham como iniludível, e considerando que tem procedido assim em circunstâncias que tornam difícil e por vezes perigoso o cumprimento integral e completo das suas obrigações morais e o exercício do seu cargo, louva a s. exª e afirma-lhe a sua admiração e o seu respeito como médico e como funcionário...” (Diário de Notícias, nº 12108, 24/08/1899, p. 1). As medidas sanitárias foram reforçadas e o cordão alargado, o que levou à demissão do presidente da Câmara Municipal do Porto, Lima Júnior, por considerar que as determinações impostas pela Junta Consultiva da Saúde Pública provarem que existia “má vontade contra a cidade”, o que “aniquila a vida local” (Diário de Notícias, nº 12118, 03/09/1899, p. 1).

Ricardo Jorge ainda se aguentou no seu posto mais de um mês, até que: “O dr. Ricardo Jorge enviou hoje ofícios ao governador civil e câmara municipal, nos quais mostra a impossibilidade que tem em continuar, pela parte que lhe diz respeito, no combate da doença reinante, atento o desvairamento da opinião pública e da falta de concurso que todas as classes dirigentes do Porto precisam de prestar para que se estabeleça a situação sanitária da cidade. Segundo consta esses ofícios estão redigidos em linguagem enérgica” (Diário de Notícias, nº 12145, 30/09/1899). Ricardo Jorge mudou-se para Lisboa em 15 de Outubro de 1899. Câmara Pestana ainda continuou no Porto a estudar a peste bubónica e acabou por ser infectado e morrer no dia 15 de Novembro de 1899. Mas o combate contra a disseminação da epidemia estava ganho e a doença foi considerada extinta em Janeiro de 1900.

Em Lisboa, Ricardo Jorge foi nomeado Inspector-Geral dos Serviços Sanitários do Reino e lente de Higiene na Escola Médico-Cirúrgica de Lisboa, além de membro do Conselho Superior de Higiene e Saúde. Começou imediatamente a trabalhar na organização geral dos Serviços de Saúde Pública (Decreto de 28 de Dezembro de 1899, sob o Governo de José Luciano de Castro) e no Regulamento Geral dos Serviços de Saúde e Beneficência Pública, de 24 de Dezembro de 1901, sob o Governo de Hintze Ribeiro. Por sua causa o país tinha desde 1901 uma legislação actualizada, burocracia e redes de controlo e fiscalização da higiene e da saúde pública; e dispunha de especialistas competentes que acompanhavam o debate científico (Sousa et all, 2009, p. 289).

O seu trabalho como docente, investigador e mentor da nova legislação deu origem a uma profunda reforma na saúde pública em Portugal, inspirada no modelo inglês (Graça, 2000), e à criação da Direcção-Geral de Saúde e Beneficência Pública (Decreto de 9 de Outubro de 1899) e do Instituto Central de Higiene, mais tarde Instituto Superior de Higiene, que iria desempenhar um importante papel na educação, formação e investigação em saúde pública. Em 1929, pelo Decreto nº 16861, de 11 de Maio, assinado pelo Presidente Carmona e pelo Ministro da Instrução Pública Cordeiro Ramos, ao Instituto Central de Higiene é dado o nome do Dr. Ricardo Jorge, por este se ter tornado “credor das homenagens do País”. Ricardo Jorge dirigiu este instituto entre 1902 e 1926. Era este instituto que dava os cursos de Medicina Sanitária e Engenharia Sanitária, os quais forneciam a habilitação necessária para o exercício dos lugares de médicos e engenheiros do corpo de saúde pública. O primeiro habilitava para o cargo de delegado de saúde, cujas funções, a nível distrital, incluiam a direcção técnica dos serviços sanitários, o licenciamento dos estabelecimentos, a fiscalização da higiene industrial e do trabalho operário ou agrícola, a higiene infantil e as condições sanitárias da população em geral.

As suas preocupações sanitárias levaram-no também ao estudo sistemático sobre a epidemiologia da malária em Portugal, uma doença que assolavas as populações há vários séculos, especialmente nas zonas ligadas à cultura do arroz. O resultado do seu estudo originou a publicação do relatório Epidemiologia. Sobre o estudo e o combate do sezonismo em Portugal, em 1903, a criação de Estações Anti-Sezonáticas em 1911, e inspirou vários outros estudos desenvolvidos nas décadas seguintes no sentido da erradicação da doença (Lobo 2010, p. 88).

Ricardo Jorge particiou no Congresso Internacional de Medicina de 1906, no qual presidiu à Secção de Higiene e Epidemiologia. Colaborou também na reforma do ensino médico de 1911, e em 1912 iniciou os seus trabalhos no Office internacional de Higiene, em Paris, onde haveria de se distinguir. Foi responsável pela publicação dos Arquivos do Instituto Cental de Higiene (1913-1938) e das Estatística do movimento fisiológico da população de Portugal, publicadas anualmente pela Secção de Demografia e Estatística do mesmo Instituto entre 1914 e 1925.

Fazendo parte dos “exemplos representativos da burguesia intelectual” que “escolheram deliberadamente o caminho do empenhamento político” (Vaquinhas e Cascão, 1993, p. 445), Ricardo Jorge pertenceu ao primeiro Ministério da Instrução Pública em 1913, fazendo parte do Conselho de Instrução Pública do governo de Afonso Costa, que durou de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914.

Entre 1914 e 1915 presidiu à Sociedade das Ciências Médicas. Nos anos seguintes visitou formações sanitárias na área de guerra em França.

Em Dezembro de 1917 declarou-se uma epidemia de tifo exantemático no Porto. Logo em Janeiro de 1918, na qualidade de Director-Geral da Saúde, Ricardo Jorge deslocou-se ao Porto para estudar o problema e colocar em prática as primeiras medidas sanitárias. Como resultado do seu inquérito local, elaborou um relatório que foi apresentado no Conselho Superior de Higiene, no qual desenvolveu a história e definição da doença e apresentou o plano das medidas destinadas ao seu combate naquela cidade e no país (Diário de Notícias, nº 18.775, 21/02/1918). Perante tal relatório, Ricardo Jorge considerou desnecessária a sua ida para o Porto, “visto a delegação de saúde, segundo as suas instruções, ter posto em prática os meios de combater o mal” (carta de Ricardo Jorge ao Governador Civil do Porto, Diário de Notícias, nº 18774, 20/02/1918, p. 1). O seu plano sanitário foi colocado em prática pelo Prof. Augusto de Almeida Monjardino, nomeado comissário do governo na cidade do Porto para combate à epidemia no dia 23 de Fevereiro de 1918, e depois pelo Prof. António de Almeida Garrett, que o sucedeu no cargo e desde 18 de Maio de 1918 dirigiu o combate à epidemia de tifo exantemático que se prolongou até Março do ano seguinte. Em simultâneo o comissário do governo teve de lidar com a epidemia de gripe pneumónica que, desde Agosto desse ano (a publicação oficial do diagnóstico desta epidemia foi em 31 de Agosto de 1918, Diário de Notícias, nº 18990, 25/09/1918, p. 1), e com maior intensidade em Outubro, provocou em Portugal um número de mortos estimado em mais de 135.000, apesar das estatísticas oficiais apontarem para 59.000 (Sobral, 2009, pp. 72-73).
Se as medidas sanitárias tomadas para evitar a propagação do tifo exantemático foram muito semelhantes às da peste bubónica de 1899, com os banhos obrigatórios e a desinfecção de roupas e casas para matar os piolhos transmissores da doença, o isolamento dos doentes e dos seus contactos mais imediatos, as visitas domiciliárias e a notificação obrigatória dos epidemiados, com a cidade dividida em áreas sanitárias e a obrigatoriedade de guias sanitárias para os viajantes (apenas não se criou o cordão sanitário), além da recomendação do recrutamento de tifosos curados para os serviços perigosos de despiolhamento, aproveitando a sua imunidade à doença (Sousa et all, 2009, p. 285), pelo contrário, no que disse respeito à gripe, a sua propagação pelo ar tornou desnecessárias medidas restritivas à circulação de pessoas. Aconselhou-se apenas “evitar a permanência em lugares fechados onde haja grandes aglomerações (...) devem arejar-se largamente as habitações e lugares de trabalho. É para aconselhar o uso de preparações desinfectantes das vias nasais e garganta” e tornou-se “obrigatória a declaração por escrito de todos os casos” (O Comércio do Porto, nº 140, 15/06/1918, p. 1). Segundo o relatório de Ricardo Jorge, “não se oferece profilaxia efectiva e eficaz a exercer contra tal epidemia que não seja a higiene geral e assistência dos atacados preferentemente em hospital de isolamento” (O Comércio do Porto, nº 227, 25/09/1918, p. 1). Mais tarde as feiras e mercados foram proibidos e as escolas só iniciaram o ano lectivo depois do dia 28 de Novembro. Em simultâneo, entre Junho e Dezembro de 1918 verificou-se uma epidemia de varíola que obrigou a um movimento de vacinação rigorosíssimo em todo o país.

Ao longo de toda esta crise sanitária, Ricardo Jorge não esqueceu o lado social da questão, preocupando-se em angariar donativos para as vítimas da gripe e seus familiares, uma função que era tradicionalmente exercida pelos particulares e só muito mais tarde, já nos finais do Estado Novo, passou a ser assumida pelo Estado Social em formação. Como exemplo desta componente humana podemos ler a carta que ele dirigiu ao redactor do Diário de Notícias para demonstrar a sua solidariedade e angariar mais fundos para a subscrição que este jornal estava a realizar: “Fui ontem ao hospital em visita às enfermarias onde só vieram ficar os epidemiados. Interessava-me ver os pneumónicos graves, mas o que mais me impressionou não foi o espectáculo da doença, mas o da miséria (...) a nota mais comovedora: as pobres mães ficaram em casa, tiveram de entregar os pequeninos ao carro que os rola para as enfermarias. Outras foram com a ninhada toda (...) Não levanto esta ponta trágica para aterrar ninguém, mas sim para trazer a perspectiva dolorosa do drama epidémico aos olhos dos bem aventurados (...) Lisboa nunca ofereceu tamanho espectáculo de fortuna e gozo, e dizem que o caudal de riqueza tem engrossado. Que desse caudal derive um veio (para as) misérias agravadas pela doença que se está cavando nas classes pobres. Venha esse dízimo trazido ao templo da desgraça e felizes os que puderem vertê-lo com mão larga, que nunca o será mais que neste momento...” (Diário de Notícias, nº 19011, 17/10/1918, p. 2).

Na sequência destas epidemias, Ricardo Jorge participou em conferências internacionais, como a da Comissão Sanitária dos Países Aliados, que se realizou em Paris em Abril de 1918 (Diário de Notícias, nº 18823, 10/04/1918) e também no ano seguinte, em Março, apresentou à mesma comissão um relatório sobre a gripe; em Outubro de 1919 apresentou uma comunicação ao Comité Internacional de Higiene Pública sobre o tifo exantemático no Porto, na qual reafirmou que o piolho, agente responsável pela transmissão da doença, era ainda muito frequente nas classes mais pobres, também as mais afectadas. Estes relatórios foram publicados respectivamente em 1919 e 1920.

Apesar do intenso trabalho de Ricardo Jorge, o processo de transição sanitária teria lugar em Portugal apenas a partir da década de 1920, em flagrante atraso relativamente a outros países europeus. Porém, só se consolidaria definitivamente na década de 1950, época em se pode afirmar que a transição epidemiológica estava terminada (Sousa et all, 2009, p. 288).

Em 1926 Ricardo Jorge foi incumbido de reformar o seu Regulamento de Saúde Pública de 1901. Igualmente na sua qualidade de Director-Geral da Saúde, Ricardo Jorge foi o responsável, em 1927, pela proibição da Coca-Cola (Ramos, 1993, p. 657), depois de tomar conhecimento do slogan publicitário da bebida criada por Fernando Pessoa: “Primeiro estranha-se, depois entranha-se”. Só no dia 4 de Julho de 1977 é que a Coca-Cola voltou a entrar oficialmente em Portugal.

Em 1929 foi nomeado Presidente do Conselho Técnico Superior de Higiene.

Mesmo nos últimos anos da sua vida manteve uma intensa actividade, intervindo pela última vez numa reunião do Office Internacional de Higiene, três meses antes de falecer.

Obras de Ricardo de Almeida Jorge

Ricardo de Almeida Jorge, Um ensaio sobre o nervosismo: dissertação inaugural apresentada e defendida perante a Escola Medico-Cirurgica do Porto (Porto: Typ. Occidental, 1879).

Ricardo de Almeida Jorge, Hygiene social applicada à Nação Portuguesa: conferências feitas no Porto (Porto: Civilização, 1885).

Ricardo de Almeida Jorge, Ensaios scientificos e criticos (Porto: Typ. Occidental, 1886).

Ricardo de Almeida Jorge,  De l'électrométrie et de l'électro-diagnostic: á propos de la paralysie faciale de Ch. Bell (Porto: Typ. Occidental, 1888).

Ricardo de Almeida Jorge, Saneamento do Porto: relatório apresentado à Commissão Municipal de Saneamento (Porto: Typ. de António José da Silva Teixeira, 1888).

Ricardo de Almeida Jorge, O Gerez thermal: historia, hydrologia, medicina (Porto: Typ. Occidental, 1888).

Ricardo de Almeida Jorge, Caldas do Gerez: guia thermal (Porto: Alcino Aranha, 1891).

Ricardo de Almeida Jorge, Boletim mensal de estatistica sanitaria. Serviço Municipal de Saude e Hygiene da Cidade de Lisboa; dir. Ricardo Jorge (Porto: S.M.S.H.C.P., 1893).

Ricardo de Almeida Jorge, A epidemia de Lisboa de 1894 (Porto: Typ. Occidental, 1895).

Ricardo de Almeida Jorge, Souza Martins: discurso (Porto: Tip. A Vapor de Arthur José de Sousa, 1897).
Ricardo de Almeida Jorge, Origens & desenvolvimento da população do Porto: notas históricas e estatísticas (Porto: Typ. Occidental, 1897).

Ricardo de Almeida Jorge, Demographia e hygiene da cidade do Porto: clima-população-mortalidade, Separata do Anuário do serviço municipal de saúde e higiene da cidade do Porto (Porto: Repartição de Saúde e Hygiene da Câmara, 1899).

Ricardo de Almeida Jorge, A peste bubónica no Porto, 1899. Seu descobrimento. Primeiros trabalhos, Separata do Anuário do serviço municipal de saúde e higiene da cidade do Porto (Porto: Repartição de Saúde e Hygiene da Câmara, 1899).

Ricardo de Almeida Jorge, Epidemiologia. Sobre o estudo e o combate do sezonismo em Portugal, Anais de Saúde Pública do Reino, Inspecção Geral dos Serviços Sanitários, Secção de Higiene, Tomo I (Coimbra, Edição da Imprensa da Universidade, 1903).

Ricardo de Almeida Jorge, La malaria au Portugal: Premiers résultats d'une enquête (Lisbonne: Inspecção Geral dos Serv. Sanitários, 1906).

Ricardo de Almeida Jorge, O mal do bicho: contribuição à pathologia colonial portuguesa, Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1909).

Ricardo de Almeida Jorge, Em verdade: cartas publicadas no jornal "Republica" de 21 de Junho a 1 de Julho (Lisboa: Typ. Adolpho de Mendonça, 1911).

Ricardo de Almeida Jorge, O médico penitente: discurso proferido na sessão de abertura da Faculdade das Sciencias Medicas em 6 de Dezembro de 1913, Sep. Medicina Contemporanea (Lisboa: Typ. Adolpho de Mendonça, 1913).

Ricardo de Almeida Jorge, El Greco: nova contribuição biográfica, crítica e médica ao estudo do pintor Doménico Theotocópuli (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1913).

Ricardo de Almeida Jorge, A guerra e o pensamento médico (Lisboa: Sociedade das Sciencias Medicas, 1914).

Ricardo de Almeida Jorge, Ramalho Ortigão (Lisboa: s.n., 1915).

Ricardo de Almeida Jorge, Á margem duma revista alemã (Lisboa: Typ. A Editora Limitada, 1915).

Ricardo de Almeida Jorge, Contra um plagio do prof. Theophilo Braga: dados para a etho-psicologia literaria duma pedantocracia (Lisboa: Liv. Clássica, 1917).

Ricardo de Almeida Jorge, Sanidade em campanha: conferências proferidas no acampamento de Tancos e na Faculdade de Medicina de Lisboa em Julho e Agosto de 1916: 1ª conferência (Lisboa: s.n., 1917).

Ricardo de Almeida Jorge, Folhas d'ouro...: (album litterario e artístico) (Lisboa: Typ. dos Caminhos de Ferro do Estado, 1917).

Ricardo de Almeida Jorge, De que faleciam os conegos regrantes, Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1918).

Ricardo de Almeida Jorge, A influenza e a febre dos papatazes (Lisboa: Imprensa Nacional, 1918).

Ricardo de Almeida Jorge, A influenza: nova incursão peninsular (Lisboa: Imprensa Nacional, 1918).

Ricardo de Almeida Jorge, La grippe: rapport préliminaire présenté à la commission sanitaire des pays alliés dans sa session de mars 1919 (Lisbonne: Imp. Nationale, 1919).

Ricardo de Almeida Jorge, Le typhus exanthématique à Porto, 1917-1919: communication faite au Comité international d'hygiéne publique dans sa session d'Octobre 1919 (Lisbonne: Imp. Nationale, 1920).

Ricardo de Almeida Jorge, Francisco Rodrigues Lobo: estudo biográfico e crítico (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1920).

Ricardo de Almeida Jorge, Higiene militante, Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1920).

Ricardo de Almeida Jorge, A intercultura de Portugal e Espanha no passado e no futuro, pref. Carolina Michaëlis de Vasconcelos (Porto: Araújo & Sobrinho, 1921).

Ricardo de Almeida Jorge, A encefalite letárgica e a epidemiologia dos quinhentos em Portugal e Espanha, Separata de A Medicina Contemporânea (Lisboa: Tip. Adolpho de Mendonça, 1921).

Ricardo de Almeida Jorge, Canhenho dum vagabundo: impressões de viagem (Lisboa: Empresa Literária Fluminense, 1921).

Ricardo de Almeida Jorge, O óbito de D. João II (Lisboa: Portugalia, 1922).

Ricardo de Almeida Jorge, A propósito de Pasteur: discurso proferido em comemoração do centenário pastoriano na Faculdade de Medicina de Lisboa aos 25 de Abril de 1923 (Lisboa: Portugalia, 1923).

Ricardo de Almeida Jorge, Homenagem da Faculdade de Medicina do Pôrto ao Prof. Maximiano de Lemos [em] 21 de Fevereiro de 1923 (Porto: Faculdade de Medicina, 1923).

Ricardo de Almeida Jorge, Passadas de erradio: impressões e estudos de viagem (Lisboa: Empresa Literária Fluminense, 1924).

 Ricardo de Almeida Jorge, Camilo e Antonio Ayres: seguido do poema "As Comendas"... (Lisboa: Emp. Literária Fluminense, 1925).

Ricardo de Almeida Jorge, Sermões dum leigo (Lisboa: Empresa Literária Fluminense, 1925).

Ricardo de Almeida Jorge, Les pestilences et la Convention Sanitaire Internationale (Lisbonne: Institut Central d’Hygiéne, 1926).

Ricardo de Almeida Jorge, Alastrim et variole: vaccine, encéphalites postvaccinales (Lisbonne: Institut Central d'Hygiène, 1927).

Ricardo de Almeida Jorge, «Les faunes régionales des rongeurs et des puces dans leurs rapports avec la peste: résultats de l'enquête du Comité Permanent de l'Office International d'Hygiène Publique: 1924-1927», dans E. Roubaud, Étude systématique descriptive des puces des rongeurs transmettant la peste (Paris: Masson et Cie. Éditeurs, 1928).

Ricardo de Almeida Jorge, I-H-S. Discurso pronunciado na sessão académica consagrada a S. S. Pio XI e celebrada na Sala Portugal da Sociedade de Geografia a 6-2-29 (Lisboa: Impr. Lucas & Cª, 1929).

Ricardo de Almeida Jorge, Brasil! Brasil!: Conferencia na Academia Brasileira de Letras sobre o Brasilismo em Portugal e alocuções proferidas no Rio e em S. Paulo de 30-6 a 25-7 de 1929 (Lisboa: Fluminense, 1930).

Ricardo de Almeida Jorge, La fièvre exanthématique: fièvre escharo-nodulaire et son apparition au Portugal, Separata de Lisboa Médica (Lisboa: Imp. Libanio da Silva, 1930).

Ricardo de Almeida Jorge,, Les anciennes épidémies de peste en Europe, comparés aux épidémies modernes (Lisboa: Imprensa Nacional, 1932).

Ricardo de Almeida Jorge, Um pseudo-historiador justiçado (Lisboa: s.n., 1932).

Ricardo de Almeida Jorge, O soneto imortal de Anvers e as versões vernáculas (s.l.: s.n., 1933).

Ricardo de Almeida Jorge Myalgie épidémique do tronc: maladie de Bornholm, Separata de Lisboa Médica (Lisboa: Libanio da Silva, 1933).

Ricardo de Almeida Jorge La leishmaniose au Portugal, Sep. da Revista Clínica, Higiene e Hidrologia, nº 4 (Abr.) (Lisboa: Tip. Henrique Torres, 1935).

Ricardo de Almeida Jorge Regimento proveitoso contra ha pestenença, Sep. da Revista Clínica, Higiene e Hidrologia, nº 1 (Jan.) (Lisboa: s.n., 1935).

Ricardo de Almeida Jorge, La médecine et les médecins dans l'expansion mondiale des Portugais: conférence faite le 3 Octobre 1934 à l'Université de Coimbra (s.l.: s.n., 1935).

Ricardo de Almeida Jorge, Acerca do Kalazar em Portugal (s.l.: s.n., 1935).

Ricardo de Almeida Jorge, “O nosso amorismo novelesco nos quinhentos: sua influência na literatura universal”, in: Revista da Faculdade de Letras, Lisboa, nº 2 (1936), pp. 207-223.

Ricardo de Almeida Jorge, Les rodentia domestiques et sauvages dans l'evolution séculaire et mondiale de la peste (Lisboa: Casa Portuguesa, 1937).

Ricardo de Almeida Jorge, Memória de Belo Morais (s.l.: s.n., 1937).

Ricardo de Almeida Jorge, L'hygiéniste international Sir George S. Buchanan, Sep. da revista Clínica Higiene e Hidrologia (Lisboa: Tip. Henrique Torres, 1937).

Ricardo de Almeida Jorge, Palavras mal proferidas (s.l.: s.n., 1937).

Ricardo de Almeida Jorge, Fiévre Jaune (Lisboa: Centro Tipográfico Colonial, 1938).

Ricardo de Almeida Jorge, Camilo e Inês de Castro (Lisboa: Império, 1939).

Ricardo de Almeida Jorge, De Ceca e Meca: impressões e estudos de viagem (Lisboa: Inst. de Alta Cultura, 1961).

Ricardo de Almeida Jorge, Amato Lusitano: comentos à sua vida, obra e época (Lisboa: s.n., 1962).

Ricardo de Almeida Jorge, Fisiopatologia dos grandes traumatizados, com Ludgero Pinto Basto (s.l.: s.n.. 1965).

Ricardo de Almeida Jorge, Camilo Castelo Branco: recordações e impressões Camilo e António Aires (s.l.: s.n., 1968).

Obras prefaciadas por Ricardo Jorge

Herbert Spencer, Educação: intellectual, moral e physica, trad. Emygdio d'Oliveira (Porto: Livraria Moderna, 1884).

J. M. Teixeira de Carvalho, Homens de outros tempos (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924).

J. M. Teixeira de Carvalho, Homens de outros tempos (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1924).
Egas Moniz, Júlio Dinis e a sua obra, 6ª ed. (Porto: Livr. Civilização, 19…).

Samuel Schwarz, Os cristãos novos em Portugal no século XX (Lisboa: Schwarz, 1925).

Camillo Castello Branco, De como me casei (Le mariage de Sylvestre), Versão Francesa de Olivier du Chastel (Lisboa: Emp. Lit. Fluminense, 1925).

Alfredo Pimenta, Estudos filosóficos e críticos (Coimbra: Imprensa da Universidade, 1930).

Albino Forjaz de Sampaio, Poeira do caminho: vinte e sete anos de vida literária (Lisboa: Emp. Nac. Publicidade, 1932).

Manuel Duarte d'Almeida, Terra e azul: poesias (s.l.: s.n., 1933).

Francisco Rodrigues Lobo (ed.), Cartas dos grandes do mundo: cartas dos reis, senhores e homens insignes portugueses (Coimbra: Impr. da Universidade, 1934).

 Pedro António Bettencourt Raposo, Sonetos (Lisboa: Imp. Médica, 1936).

Moscas e mosquitos: campanha da Câmara Municipal de Cascais contra moscas e mosquitos (Cascais: Junta de Turismo, 1939).

A. Tovar de Lemos, O serviço de inspecção de toleradas em 1939 (Lisboa: Imprensa Nacional, 1940).

Traduções de Ricardo Jorge:

Guia medico-legal, pelo prof. Lacassagne, versão e adapt. de Ricardo Jorge, Maximiano Lemos (Lisboa: Manoel Gomes, 1899).

Conde Th. du Moncel, O telephone (Porto: Magalhães & Moniz, 1900).

Fontes bibliográficas secundárias

Amélia Ricon-Ferraz, “Páginas de História da Medicina na obra de Ricardo de Almeida Jorge”, in: Isabel Amaral, Ana Carneiro, Teresa Salomé Mota, Victor Machado Borges, José Luís Doria (coords.), Percursos da Saúde Pública nos séculos XIX e XX – a propósito de Ricardo Jorge (Lisboa: CELOM – Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos, 2010), pp. 15-25.

Ana Leonor Pereira e João Rui Pita, “Ciências”, in: José Mattoso (dir.), História de Portugal (Lisboa: Círculo de Leitores, 1993) vol. V, pp. 653-667.

Antigos Estudantes Ilustres da Universidade do Porto. Ricardo Jorge, http://sigarra.up.pt/up/web_base.gera_pagina?P_pagina=1001233.

António Perestrelo de Matos, “Ricardo Jorge e a sua incursão na medicina hidrológica”, in: Isabel Amaral, Ana Carneiro, Teresa Salomé Mota, Victor Machado Borges, José Luís Doria (coords.), Percursos da Saúde Pública nos séculos XIX e XX – a propósito de Ricardo Jorge (Lisboa: CELOM – Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos, 2010), pp. 75-86.

António Ramalho de Almeida, A tuberculose: doença do passado, do presente e do futuro (Porto: Bial, 1995).

António Ramalho de Almeida, O Porto e a Tuberculose. História de 100 Anos de Luta (Porto: Fronteira do Caos Editores, 2006).

Arlindo Camilo Monteiro, Prof. Ricardo Jorge: evocação do seu perfil austero e do historiador das ciências (Porto: Imprensa Portuguesa, 1939).

Barahona Fernandes, Ricardo Jorge: personalidade e atitude espiritual, Sep. de Jornal da Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, vol. 123, n. 8 (Lisboa: Sociedade das Ciências Médicas de Lisboa, 1959).

Bernardino António Gomes, Aperçu historique sur les épidémies de choléra-morbus et de fièvre jaune en Portugal, dans les années de 1833-1865 par le Délégué du  Gouvernement Portugais a La Conférence Sanitaire Internationale Réunie a Constantinople (Constantinople: Imprimerie Centrale, 1866).

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Fernando da Silva Correia, Cinquentenário do Instituto Ricardo Jorge (s.l.: s.n., 1952).

Fernando da Silva Correia, O Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge (Lisboa: s.n., 1957).

Fernando da Silva Correia, Ricardo Jorge na hierarquia dos físicos-mores, médicos municipais e sanitaristas portugueses (Lisboa: s.n., 1958).

Fernando da Silva Correia (compil., anot. e pref.), A vida, a obra, o estilo, as lições e o prestígio de Ricardo Jorge (Lisboa: Inst. Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge, 1960).

Eduardo Coelho, O Prof. Ricardo Jorge: Breve ensaio crítico, seguido da resenha bibliográfica da sua obra (Paris, Lisboa: Liv. Aillaud & Bertrand, 1929).

Eduardo Coelho, A personalidade de Ricardo Jorge através de algumas cartas inéditas, Sep. da Revista Clinica, Higiene e Hidrologia (Lisboa: s.n., 1941). 

Eduardo Coelho, Ricardo Jorge pedagogo, Sep. de Ocidente, v. 54 (s.l.: s.n., 1958). 

Eduardo Coelho, Ricardo Jorge: O homem na sua personalidade e cultura (Lisboa: Tip. Editorial Império, 1959).

Eduardo Coelho, Ricardo Jorge, o médico e o humanista (Lisboa: Livr. Luso-Espanhola Lda, 1961).

Eduardo Coelho, Uma visita a São Miguel de Seide, Sep. Ocidente, 63 (Lisboa: s.n., D.L. 1962).

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Fernando da Silva Correia (ed. lit.), A vida, a obra, o estilo, as lições e o prestígio de Ricardo Jorge (Lisboa: Instituto Superior de Higiene Dr. Ricardo Jorge, 1960).

Fernando da Silva Correia (comp., notas e conclusões), No centenário de Ricardo Jorge: Ricardo Jorge julgado pelos seus contemporâneos (Lisboa: Neogravura, 1959).

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Rita Lobo, “A Contribuição de Ricardo Jorge para o Estudo da Malária em Portugal no Século XX”, in: Isabel Amaral, Ana Carneiro, Teresa Salomé Mota, Victor Machado Borges, José Luís Doria (coords.) (2010), Percursos da Saúde Pública nos séculos XIX e XX – a propósito de Ricardo Jorge (Lisboa, CELOM – Centro Editor Livreiro da Ordem dos Médicos, 2010), pp. 87-96.

Rui Cascão, “Demografia e Sociedade”, in: José Mattoso (dir.), História de Portugal (Lisboa: Círculo de Leitores, 1993) vol. V, pp. 425-439.

Rui Ramos, “A Segunda Fundação (1890-1926)”, in: José Mattoso (dir.), História de Portugal (Lisboa: Círculo de Leitores, 1993) vol. VI.