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Frederico Augusto Oom (Lisboa, 4 de Dezembro de 1830 – Lisboa, 25 de Julho de 1890)Autoria: Pedro Raposo
Palavras-chave: F. G. Wilhelm Struve, Otto Struve, Campos Rodrigues, Frederico Thomaz Oom, Observatorio de Pulkovo, Observatório Astronómico de Lisboa, paralaxe estelar, hora legal, transito de Vénus Período: 1830 - 1890 Biografia A vida e a carreira científica de Frederico Augusto Oom confundem-se significativamente com a fundação e organização do Observatório Astronómico de Lisboa (OAL), nas quais desempenhou um papel preponderante. Terá sido menos por opção própria do que por imposição superior que se viu nessa posição. Nascido no seio de uma família com raízes na Escandinávia, Oom começou por seguir um típico percurso militar de oficial da marinha de guerra. Em 9 de Dezembro de 1842 assentou praça como aspirante a guarda-marinha. Dois anos depois matriculou-se na Escola Politécnica, onde completou o curso preparatório de Marinha em 1848. No ano seguinte completou o curso da Escola Naval, sendo promovido a guarda-marinha em 23 de Outubro de 1849. Esteve embarcado nos anos subsequentes, visitando o Brazil, Macau, e territórios portugueses em África. Em 14 de Novembro de 1851 foi promovido a 2º tenente graduado, passando a efectivo em 6 de Setembro de 1852. Em 1853 regressou à Escola Politécnica, concluindo o curso geral em 1856 com prémios em três cadeiras. Apesar de não ter sido na quarta cadeira, Astronomia e Geodesia, que obteve a sua melhor classificação, terá impressionado suficientemente o lente Filipe Folque (1800-1870) para que este propusesse o seu nome para uma missão de estudo ao Observatório Central de Pulkovo na Rússia, onde passaria vários anos a estudar os instrumentos e métodos ai utilizados, com vista a sua implementação no OAL, que havia sido fundado em Janeiro de 1857, e cujos trabalhos de construção teriam início em Março de 1861. A fundação do OAL foi patrocinada por D. Pedro V e apoiada por Friedrich Georg Wilhelm Struve (1793-1864), o director do Observatório de Pulkovo. Struve vira no estabelecimento de um novo observatório em Lisboa uma oportunidade para desenvolver a astronomia estelar, nomeadamente no que respeitava à medição de paralaxes das estrelas (isto e, à medição da sua distância com base em princípios trigonométricos) e ao estudo das nebulosas. A astronomia estelar era então um ramo incipiente, cultivado sobretudo por amadores abastados. Só estes possuíam o tempo e meios necessários para efectuar estudos que se desviavam das tradicionais funções dos observatórios nacionais, públicos e universitários. Nestes estabelecimentos, as observações de estrelas destinavam-se essencialmente à determinação rigorosa das suas posições, tendo em vista a medição de movimentos planetários, a determinação do tempo e o apoio à geodesia e cartografia. Em Pulkovo, Wilhelm Struve procurara dar continuidade aos estudos sobre estrelas duplas e distâncias estelares a que se havia dedicado ao longo de duas décadas e meia passadas na Universidade de Dorpat (actualmente Tartu, na Estónia), cujo observatório também dirigiu. Estes assuntos, aos quais acrescia a investigação da natureza das nebulosas, haviam constituído os temas predilectos de William Herschel (1738-1822), o célebre amador de origem alemã a quem a descoberta do planeta Urano abrira as portas da corte britânica. Struve procurara aprofundar as pesquisas de Herschel conferindo-lhe bases quantitativas mais fortes e enquadrando-as numa cultura observacional alicerçada no espírito de precisão que, emergindo sobretudo nos estados germânicos, não só se tornou marcante na actividade científica do século XIX em geral, como também se reflectiu em práticas de racionalização administrativa essenciais à construção dos estados modernos. A reputação cimentada por Struve ao longo da sua carreira académica em Dorpat colocou-o na posição de liderar um observatório concebido para funcionar como símbolo de poder, grandiosidade e excelência científica da Rússia czarista, o que se tornou realidade graças aos abundantes recursos financeiros concedidos pelo czar Nicolau I. Tendo escalado a hierarquia social russa até conquistar o estatuto de conselheiro de estado, Struve pôde gerir o Observatório de Pulkovo não só como foco da actividade astronómica no vasto império dos czares, mas também como verdadeiro centro de investigação estatal, num sentido contemporâneo. Aliás, Pulkovo foi especialmente prolífico nesta vertente, uma vez que o estatuto de observatório central que lhe foi conferido teve, na prática, um carácter mais nominal do que efectivo, traduzindo-se especialmente em actividades de coordenação e apoio a missões científicas e de aconselhamento aos pequenos observatórios espalhados pelo império, em vez da efectiva gestão da actividade que, amiúde com muitas dificuldades, era desenvolvida nesses estabelecimentos regionais. Sendo assim, a criação de um observatório em Lisboa, destinado a colaborar de forma estreita com Pulkovo, perfilava-se como uma excelente oportunidade para estender o prestígio e a influência do observatório russo, assegurando a manutenção do seu estatuto de pioneiro e líder entre os observatórios profissionais dedicados à astronomia estelar. Lisboa oferecia condições geográficas e climáticas especialmente favoráveis ao estudo das paralaxes estelares e das nebulosas, e não só pela sua frequência de períodos de céu limpo. Por um lado, várias das estrelas consideradas mais propícias para efeitos de medição de paralaxe (1830 Groombridge, 61 Cygni, Alpha Lyrae) passavam nas proximidades do zénite, reduzindo assim os erros decorrentes da refracção atmosférica. Por outro lado, a escuridão das noites estivais portuguesas (especialmente quando comparadas com as “noites brancas” de S. Petersburgo) favoreciam a observação das nebulosas, sobre cuja natureza perdurava um debate em cuja resolução William Herschel se empenhara especialmente: são estes objectos constituídos por estrelas, ou por uma substância que lhes e própria? Este debate ainda perduraria por algumas décadas, tendo William Huggins (1824-1910) mostrado por meio das suas investigações espectroscópicas, em meados da década de 1860, que existem nebulosas de constituição gasosa (nebulosas propriamente ditas na astronomia contemporânea), enquanto muitos outros destes objectos, assim se veio a demonstrar, são de facto constituídos por estrelas (enxames estelares ou galáxias ou ainda, em alguns casos, enxames estelares com nebulosidade associada). As vantagens geográficas de Lisboa haviam chamado a atenção de Struve na sequência de um debate travado com Hervé Faye (1814-1902), do Observatório de Paris, entre 1847 e 1850, em torno da paralaxe da estrela 1830 do catálogo Groombridge. Este debate decorreu na sequência das determinações pioneiras de paralaxes estelares protagonizadas por Friedrich Bessel (1784-1846), Wilhelm Struve e Thomas Handerson (1798-1844), que, entre 1838 e 1839, haviam apresentado resultados consistentes para as paralaxes das estrelas 61 Cygni, Alpha Lyrae (Vega) e Alpha Centauri, respectivamente. Apesar da sua consistência, estes resultados não eram necessariamente definitivos nem encerraram as muitas dúvidas e reservas metodológicas que ainda pairavam sobre estas medições, que envolvem quantidades angulares extremamente pequenas. O caso da paralaxe da estrela 1830 Groombdrige, ou Estrela de Argelander, veio precisamente evidenciar essa situação. Resultados de observações efectuadas entre 1842 e 1849 nos observatórios de Pulkovo, Paris e Königsberg, e envolvendo diferentes métodos e instrumentos, haviam sido inconclusivas, pelo que em 1850 Faye e Struve anuíram em promover o desenvolvimento destes estudos em Lisboa. Faye foi o primeiro a prontificar-se para apoiar uma iniciativa portuguesa nesse sentido, e chegaram mesmo a ser efectuadas algumas diligências na sequência de um discurso proferido na Câmara dos Pares, em 26 de Março de 1850, por D. Francisco de Almeida Portugal, Conde do Lavradio. Vendo aqui uma oportunidade para dignificar, na cena internacional, um Portugal politica e culturalmente acanhado e subserviente, Lavradio apelara a uma activa resposta portuguesa face ao interesse manifestado pelos cientistas estrangeiros. No entanto, a ineficiência da comunicação e articulação entre as instituições envolvidas, ao que acresceu a inevitável confusão gerada pelo golpe da Regeneração de 1 de Maio de 1851, tornaram inúteis as medidas entretanto tomadas. A fundação de um novo observatório na capital portuguesa só tomou forma efectivamente em 1857, na sequência das viagens europeias que o Infante D. Pedro efectuou em 1854 e 1855 como preparação para o seu reinado como D. Pedro V. Tendo visitado, observado e apreciado várias infra-estruturas em que viu materializado o progresso técnico, social e administrativo de que Portugal permanecia distante, o jovem infante e, a breve prazo, rei de Portugal, ficou sensibilizado para a necessidade de edificar em Lisboa um observatório astronómico que mostrasse a capacidade nacional de acompanhar a dinâmica cultural da Europa desenvolvida. Este desejo deixou-o o Infante Pedro explicitamente manifesto nos seus diários de viagem, depois de uma visita ao Observatório de Bruxelas, então dirigido pelo célebre astrónomo, meteorologista e estatístico Alphonse Quetelet (1795–1874), na qual foi acompanhado por Filipe Folque, seu preceptor de matemática. No final de 1855, Folque prestou declarações perante uma comissão parlamentar encarregada de inspeccionar as várias secções da Marinha de Guerra, tendo alertado para a situação degradante do Observatório da Marinha situado no Arsenal, e apelando explicitamente à edificação de um novo observatório ao nível dos melhores da Europa. Foi neste contexto que se retomou a velha questão das paralaxes estelares que havia motivado o apelo de Lavradio em 1850. Wilhelm Struve, que se mantivera em contacto com a embaixada portuguesa em S. Petersburgo, tornou-se então o principal conselheiro do projecto. Tendo adoecido por esta altura, o seu filho, Otto W. Struve (1819-1905), tomou as rédeas dos assuntos do Observatório Central Russo. Coadjuvou e mais tarde substituiu o pai no papel de conselheiro internacional do empreendimento português. O OAL foi projectado tendo Pulkovo como modelo principal, mas através de uma discussão alargada que também envolveu outros astrónomos estrangeiros e fabricantes de instrumentos. Pretendia-se dotar o novo observatório lisboeta de um aparato observacional capaz de lhe conferir uma posição de liderança na medição de distâncias estelares e na investigação das nebulosas. Em Janeiro de 1857, Pedro V concedeu 30 contos de reis da sua dotação pessoal para apoiar a fundação do novo observatório. Os trabalhos de construção tiveram início em Marco de 1861, mas a morte do monarca nesse mesmo ano comprometeu o progresso dos trabalhos, que só terão arrancado em força em 1864, e que, ainda assim, teriam uma progressão lenta, com o observatório a ser efectivamente concluído, pelo menos a nível das suas estruturas fundamentais, apenas no final da década de 1870. Tendo surgido, essencialmente, como um projecto de carácter simbólico assente em mecenato real, o OAL nunca foi devidamente inscrito nas políticas de fomento do fontismo, e só com dificuldade se chegaria à efectiva materialização dos planos originais. Oom deixou Lisboa rumo a S. Petersburgo em 24 de Agosto de 1858. Passaria ainda por Paris, Londres, Hamburgo e Altona, antes de se instalar em Pulkovo em Outubro desse ano. Começou então a trabalhar no observatório russo sob a supervisão de Otto Struve, tendo como primeira incumbência rectificar um instrumento de passagens portátil Ertel e usá-lo em observações de teste e calibragem. Em Maio de 1860 juntou-se à expedição anglo-russa que se dirigiu a Bilbao para observar o eclipse solar de 18 de Julho de 1860. Oom foi incumbido de estudar a coroa solar, tendo produzido um desenho cuja concordância com o de um engenheiro dos caminhos-de-ferro espanhóis chamado Bonami foi posteriormente destacada pelo Astrónomo Real Britânico George Biddell Airy (1801-1892), como um caso excepcional face à grande disparidade verificada entre as observações que lhe haviam sido reportadas. De regresso a Pulkovo, Oom ocupou-se de trabalhos diversos, incluindo medições com um micrómetro circular, observações dos cometas I 1861 e Rümker, redução de observações com o círculo meridiano, observações de ocultações, observações com o instrumento de passagens Ertel no primeiro vertical, estudo do retículo do círculo meridiano, e observações heliométricas dos asteróides Tróia e Vitoria. Também estudou detalhadamente os instrumentos altazimutais e o método de reiteração, e colaborou com Otto Struve no estudo de erros subjectivos na observação de estrelas duplas. Já na fase final do longo estágio entregou-se a um programa observacional que se revestia de uma importância crucial para o OAL: a observação de distâncias zenitais de 99 estrelas (até magnitude 7 e compreendidas na banda de declinação de 58º46' a 59º46') com o instrumento de passagens no primeiro vertical Repsold, e a sua comparação com as mesmas distâncias medidas através de instrumentos meridianos. O instrumento de passagens no primeiro vertical ocupava um lugar central no aparato observacional do OAL. Em Pulkovo Wilhelm Struve ocupara-se especialmente de observações com este instrumento, com o qual efectuou uma determinação rigorosa da constante de aberração. O astrónomo acreditava que, instalando uma versão aperfeiçoada na capital portuguesa, se poderia dar um avanço significativo à determinação de paralaxes estelares, uma vez que, para além das já referidas vantagens geográficas de Lisboa, este tipo de instrumento permitia eliminar vários erros. Por esse motivo W. Struve e o seu filho Otto prestaram especial atenção ao design e a construção do instrumento de passagens no primeiro vertical de Lisboa, cujos detalhes foram cuidadosamente discutidos com os irmãos Repsold, a quem o seu fabrico foi concessionado (excepto no que respeita às partes ópticas, que foram encomendadas a Steinheil). Ainda que não tinham incidido directamente na determinação de paralaxes estelares, as observações de Oom com o primeiro vertical de Pulkovo serviram de preparação para as investigações de Lisboa, e foram inclusivamente publicadas no boletim da Academia das Ciências de S. Petersburgo. No final da sua estadia na Rússia. Oom foi galardoado com o 2º grau da Ordem de S. Estanislau, uma distinção atribuída a homens de ciência estrangeiros, cuja lista de contemplados inclui os nomes de Airy, Bessel, Urbain Leverrier (1811-1877), Heinrich Schumacher (1780-1850), e Johann Encke (1761-1865). Quer nos trajectos entre Lisboa e São Petersburgo, quer no decurso das viagens que efectuou para observar o eclipse solar de 18 de Julho de 1860, Oom visitou vários observatórios, entre os quais os de Greenwich, Altona, Hamburgo, Bona, Berlim e Lipsia. E provável que tenha também visitado os observatórios de Paris e Helsínquia, bem como a oficina de instrumentação da firma Merz em Munique, uma vez que estes estabelecimentos eram contemplados nas instruções que presidiram a sua missão. No regresso para Lisboa passou por Heidelberga, onde participou na reunião fundacional da Astronomische Gesellschaft, realizada em 28 de Agosto de 1863. Mas antes de avançar nessa frente foi necessário completar o observatório propriamente dito. Quando Oom regressou a Lisboa, as obras do OAL não haviam sequer arrancado em pleno, e o astrónomo viu-se reduzido à condição de oficial de Marinha em comissão de serviço. Acabou por regressar a Escola Politécnica, de modo a obter as qualificações necessárias para o título de engenheiro hidrógrafo, que recebeu em 1865. Entretanto Folque envolvera-o na instrução dos assistentes do Observatório de Marinha mas também na coordenação dos trabalhos de construção das estruturas arquitectónicas do OAL directamente relacionadas com a actividade científica. Oom ficou igualmente encarregado da instalação do respectivo equipamento, tendo efectuado uma nova visita a Hamburgo em 1866 para supervisionar a construção de alguns instrumentos na casa Repsold. Entretanto havia concebido um instrumento altazimutal portátil com um sistema de inversão inspirado num sistema semelhante incorporado no instrumento no primeiro vertical de Pulkovo. O trabalho no OAL era, nesta fase, intercalado com as funções de hidrógrafo, tendo integrado, em 1867, uma comissão responsável pela colocação de bóias no Tejo. Entre 1867 e 1869 foi coadjuvado nos trabalhos de instalação do OAL por Henrique de Barros Gomes (1843-1898), que, a curto prazo, deixaria a ciência para abraçar uma carreira política que o levou a cargos de relevo, entre os quais os de director do Banco de Portugal, e o de Ministro dos Negócios Estrangeiros, que ocupava quando eclodiu a crise do Ultimatum Inglês em Janeiro de 1890. Em 1869, Oom foi oficialmente nomeado chefe da Secção Astronómica da Direcção Geral dos Trabalhos Geodésicos do Reino, titulo atribuído provisoriamente ao OAL (após a inclusão deste no Depósito Geral da Guerra, que teve vida curta). Nesse mesmo ano, ingressou no OAL César Augusto de Campos Rodrigues (1836-1919), também oficial de marinha e engenheiro hidrógrafo, cujo talento para as questões de instrumentação e matemática aplicada haviam já sobressaído no seu percurso estudantil e nos seus trabalhos de campo. De carácter extremamente reservado, Rodrigues consagrar-se-ia ao estudo e aperfeiçoamento dos instrumentos e técnicas empregues no OAL, tendo beneficiado significativamente os instrumentos de passagens portáteis Repsold, o círculo meridiano (também construído pela firma Repsold), e o aparato electrocronografico do observatório, entre muitas outras contribuições. Em 1870, Oom determinou a latitude do ponto central do OAL através da observação de passagens da estrela Alpha Lyrae no primeiro vertical, obtendo como resultado 38º 42′ 31″.25. Ainda nesse ano foi nomeado para fazer parte de uma comissão encarregada de organizar uma expedição a Tavira com vista à observação do eclipse solar de 22 de Dezembro daquele ano. A expedição incluía Oom, vários astrónomos e professores de Coimbra, e João de Brito Capello (1831-1901) do Observatório Meteorológico Infante D. Luiz. Adquiriu-se equipamento especial tendo em vista a realização de trabalho fotográfico e espectroscópico, mas a iniciativa revelou-se infrutífera devido às condições atmosféricas adversas que impediram a observação do fenómeno. É provável que o empenho de Oom em promover o OAL como observatório nacional de facto, procurando tomar o controlo destas actividades, tenha gerado atrito com outros elementos da expedição, em cuja origem estiveram as propostas de António José Teixeira (1830-1900), professor de astronomia e matemática em Coimbra. De facto, vários acontecimentos que se deram ao longo da década de 1870 sugerem uma rivalidade latente entre o observatório da capital e a universidade. Em 1873, Oom iniciou, juntamente com Campos Rodrigues e João Capello, os preparativos para uma expedição a Macau para a observação do trânsito de Vénus de 9 de Dezembro de 1874. Campos Rodrigues concebeu mesmo um aparato fotográfico especial para efectuar fotografia sequencial do trânsito, mas a expedição foi cancelada no parlamento, com base em argumentos financeiros, já depois da concessão de financiamento para os trabalhos preparatórios. E muito provável que este inesperado cancelamento se tenha devido a manobras políticas oriundas de Coimbra, uma vez que Oom havia tentado realizar a expedição como um empreendimento do OAL apoiado pela Academia das Ciências de Lisboa (de que fora feito sócio correspondente em 1872, tornando-se efectivo em 1877), numa tentativa clara de excluir a participação, ou pelo menos a primazia, da Universidade. Por esta altura, encontravam-se já em discussão alguns projectos para a lei orgânica do Real Observatório Astronómico de Lisboa. Em 1873 Filipe Folque, a Junta Consultiva para a Instrução Publica, e a Academia das Ciências haviam emitido propostas convergentes (sendo a última uma síntese das duas primeiras), segundo as quais o OAL teria por objectivo principal contribuir para o avanço da astronomia estelar, sobretudo ao nível da medição de paralaxes estelares e do estudo das nebulosas. Estas propostas eram igualmente concordantes relativamente à administração do observatório, que ficaria centrada na figura do director, e consagravam o princípio de dedicação exclusiva por parte dos seus astrónomos. Em 1875 o governo regenerador de Fontes Pereira de Melo emitiu uma proposta no espírito das precedentes, que recebeu a oposição da Comissão Parlamentar para a Instrução Publica, liderada por António José Teixeira. Foi então apresentada uma proposta alternativa na qual o observatório teria um carácter generalista, devendo o seu programa científico principal ser escolhido de acordo com as circunstâncias. A nova proposta continha ainda disposições que facilitavam o acesso dos professores de estabelecimentos de ensino superior nacionais às vagas do quadro científico do OAL, e que limitavam os poderes do director à execução das deliberações de um conselho que reuniria todos os astrónomos e calculadores do observatório. Oom atacou duramente este documento, batendo-se pelo projecto estabelecido pelos Struves e invocando várias opiniões e pareceres de outros astrónomos estrangeiros para fundamentar a sua posição. Oom não só defendia um observatório totalmente dedicado à astronomia estelar e submetido à liderança forte de um director com currículo relevante em astronomia prática, como recusava a inclusão permanente de calculadores no quadro científico, o que pode ser visto como uma tentativa de manter à margem aqueles que, sem deterem as competências necessárias ao trabalho de observação, desejassem ingressar na instituição ou aí, simplesmente, obter uma sinecura. Oom apresentou os seus argumentos num escrito intitulado Considerações acerca da organização do Real Observatorio Astronómico de Lisboa. Tratava-se de um relatório originalmente dirigido ao director dos trabalhos geodésicos, mas que fez publicar e circular por várias pessoas e entidades no sentido de angariar apoio político para as suas posições. Estas acabariam por sair vitoriosas dos debates parlamentares, para o que foi decisivo o apoio maioritário obtido na Câmara dos Pares. Teve aí especial significado a intervenção do reitor da Universidade de Coimbra, Júlio Máximo de Oliveira Pimentel, Visconde de Villa-Maior (1809-1884). Villa-Maior concedeu o seu apoio às posições defendidas por Oom e ao projecto fundacional do OAL, procurando talvez esbater as rivalidades latentes entre Lisboa e Coimbra, e sanar o mal-estar que se havia gerado entre o OAL e a velha instituição. Em 6 de Maio de 1878, foi finalmente aprovada a lei orgânica do Real Observatório Astronómico de Lisboa. O OAL passava então ao estatuto de instituição científica autónoma, sob a égide directa do Ministério do Reino, tendo como prioridade contribuir para o avanço da astronomia sideral. Constituíam funções subalternas o apoio à cartografia, hidrografia e geodesia, assim como a transmissão da hora oficial. Apesar da aparente vitória de Oom, a visão que o astrónomo defendera apaixonadamente não se coadunava com as circunstâncias que rodeavam o observatório. Não havia pessoal qualificado suficiente que desejasse ingressar no corpo científico da instituição, e alguns dentre os poucos que o tentaram e conseguiram não foram capazes de se adaptar nem ao estilo de trabalho prático que ali era cultivado nem à disciplina que lhe estava subjacente. Assim aconteceu com o célebre matemático Francisco Gomes Teixeira (1851-1933), que, na sequência da aprovação da lei orgânica, foi indicado, em Julho de 1878, para ocupar a 3ª vaga de astrónomo de 1ª classe (sendo a 1ª ocupada por Oom e a 2ª por Campos Rodrigues, o que significava deterem as funções, respectivamente, de director e subdirector). Teixeira abandonaria o OAL a breve prazo, depois de se revelar incapaz de desempenhar cabalmente as tarefas práticas de observação. Este caso ficou inscrito na história informal e privada do observatório como um exemplo paradigmático de desencontro entre elevadas qualificações matemáticas e a proficiência no uso de instrumentação de precisão, que haveria de ser manifestada por outras personalidades que tentaram carreira no OAL. Oom pode contar apenas com Campos Rodrigues para finalizar a instalação do equipamento do OAL, dispondo os dois de apenas um astrónomo auxiliar, o engenheiro hidrógrafo José Augusto Alves do Rio (1845-1905), que haveria de trocar a carreira de astrónomo pela gestão de uma heranca em 1887. A afluência de astrónomos-alunos, pela qual Oom também se batera fortemente, foi também praticamente nula. Tal era, aliás, expectável: exigia-se qualificações elevadas para dois anos de um estágio mal remunerado, em dedicação exclusiva, nas condições de relativo isolamento da Tapada, e sem garantias de admissão definitiva findo o estágio. Outros problemas de recursos humanos agravaram ainda mais este quadro delicado: por exemplo, o secretário do observatório, que também detinha cargos políticos, praticou um absentismo sistemático, deixando Oom e Rodrigues amiúde assoberbados com tarefas de administração e escrituração. Os dois astrónomos chegavam mesmo a recorrer a um guarda do observatório que detinha as habilitações necessárias para os coadjuvar no cumprimento dessas tarefas. Quanto aos trabalhos científicos propriamente ditos, Oom e Rodrigues contavam, por vezes, com a colaboração dos engenheiros hidrógrafos estagiários que, em observância das regras da obtenção do respectivo título profissional, ali passavam um período de seis meses, mas tratando-se de um procedimento no âmbito de uma outra carreira estes estágios não traziam benefícios em termos da constituição de um quadro permanente. Adicionalmente, Oom lograra ver excluída da lei orgânica do OAL a contratação permanente de calculadores, mas alguns trabalhos de observação haveriam de ficar acumulados sem que os respectivos dados fossem devidamente reduzidos. Esta frágil situação interna prolongar-se-ia ate ao final do século, constituindo um sério entrave à concretização do projecto fundacional. As medições que entretanto haviam sido efectuadas das estrelas cuja paralaxe se julgara poder satisfatoriamente determinar ou reavaliar na capital portuguesa (nomeadamente a Estrela de Argelander, 61 Cygni e Vega), o movimento de precessão do eixo terrestre que as vinha afastando do zénite lisboeta, a pouca fiabilidade e eficiência que os métodos astrométricos tradicionais continuavam a revelar nas medições de paralaxe, e a predominância gradual dos métodos espectroscópicos e fotográficos, terão também contribuído para que Oom deixasse de lado o programa de trabalho em astronomia estelar de modo a focar o OAL em tarefas a que inicialmente se atribuíra um lugar subalterno. De facto, Oom concentraria os recursos do observatório em tarefas de apoio à geografia e geodesia e sobretudo na transmissão da hora oficial, que constituiu a principal frente de intervenção durante a sua direcção. Ainda que ancorado num discurso fundacional que lhe conferia o carácter de um observatório de investigação, no sentido moderno da expressão (o que à época era significativamente inovador para um observatório estatal, tal como o era o caso de Pulkovo), o OAL veio a funcionar antes como uma instituição científica de serviço público, muito à semelhança do Real Observatório de Greenwich. Pela mesma altura, o Astronomer Royal George Biddel Airy (1801-1902, director entre 1835 e 1881) impunha aí uma estrita prioridade às observações regulares para a navegação e para a transmissão da hora, e a quaisquer outros trabalhos que igualmente se prendessem com fins de utilidade pública. No OAL, as observações regulares de tempo tiveram início em 1878 e haveriam de se prolongar até à década de 80 do séc. XX. A observação de uma série definida de estrelas, efectuada todas as noites em que o estado do tempo o permitia, eram reduzidas de modo a verificar-se as pêndulas na manha seguinte e a transmitir a hora do meridiano do observatório para um sistema de sinal horário instalado desde 1858 no Arsenal da Marinha. Tratava-se de um dispositivo semelhante aos de Greenwich e muitos outros observatórios e portos de todo o mundo, no qual um balão (mais propriamente, uma esfera metálica) era içado ao topo de um mastro, provocando-se a sua queda a 1:00 local. Todavia, reflectindo a própria debilidade do Observatório da Marinha (extinto em 1874) a que fora inicialmente associado, o dito balão horário do arsenal revelara-se pouco fiável. No contexto do crescente movimento internacional para o estabelecimento de um meridiano universal, que haveria de culminar na adopção do meridiano de Greenwich em 1884, foi solicitado a F. A. Oom e a Campos Rodrigues, nesse mesmo ano, que desenvolvessem um sistema mais exacto. O novo sistema, em que o envio do sinal horário do OAL desencadeava a queda automática do balão, foi inaugurado no ano seguinte. A queda e o sinal de origem passaram a ser minuciosamente monitorizados, e os respectivos erros, que geralmente não iam além de alguns décimos de segundo, eram publicados quinzenalmente no Diário do Governo. Toda esta minúcia constituía muito mais um atestado de precisão científica colocada ao serviço da nação do que uma efectiva exigência da navegação, à qual o balão horário primariamente se dirigia. Oom procurou estender a influência do Observatório marcando a sua posição enquanto detentor da hora oficial, promovendo a distribuição dos sinais horários do OAL para vários outros pontos através da rede telegráfica nacional, um dos marcos das políticas de fomento infra-estrutural do fontismo. Apesar de ter sido consagrado na lei orgânica de 1878 que o Observatório transmitiria a hora oficial, havia-se omitido a definição formal de hora legal, que era a do meridiano do OAL, mas apenas implicitamente. Por conseguinte, Oom empenhou-se em impor a hora do OAL como a referência nacional, opondo-se a adopção do meridiano universal como referência para a hora portuguesa (o que, deve notar-se, era uma posição, a altura, partilhada por muitos outros países). Não houve por aí qualquer obstáculo ao primado da hora do OAL durante a sua direcção, já que só na sequência da implantação da República as horas oficiais dos territórios sob administração portuguesa foram definidas em relação ao meridiano de Greenwich. A longa carreira de Oom no OAL reduz-se essencialmente à instalação e organização do observatório, e à acção persistente no sentido de ver a instituição que dirigia reconhecida como o observatório nacional de facto, algo que, tal como a definição de hora legal, não ficara clarificado na lei orgânica de 1878. Os escassos trabalhos astronómicos que Oom deixou publicados da sua fase pós-Pulkovo incluem uma série de observações do cometa 1881III e um conjunto de instruções para o uso de instrumentos altazimutais na observação de passagens meridianas, publicadas a título póstumo e dirigidas aos militares encarregados de trabalhos de campo. É nas Considerações… que deve ser reconhecida a essência da sua actividade – a do obreiro da instalação e organização de uma instituição científica inovadora e de cariz internacional que não foi favorecida pelas circunstâncias locais do seu desenvolvimento. Oom parece ter frequentemente subavaliado este facto, talvez devido a um excessivo comprometimento pessoal com um empreendimento para o qual fora, afinal, treinado num dos melhores observatórios do mundo, e para o qual havia estabelecido uma significativa rede de apoio e legitimação entre a comunidade astronómica internacional. Conseguiu ver o projecto que abraçara consagrado na lei orgânica do OAL, mas jamais reuniu as condições práticas e o apoio necessários, se não para a sua efectiva concretização, pelo menos para ver o OAL activamente envolvido nos principais empreendimentos da astronomia do seu tempo, como a observação fotográfica do trânsito de vénus. Ao falhanço da expedição do trânsito de Vénus de 1874, seguira-se o fracasso de uma outra organizada a propósito do trânsito de 1882. Esta segunda iniciativa, com destino a Lourenço Marques, fora projectada em colaboração com António dos Santos Viegas (1835-1910), professor de Física em Coimbra, o que sugere uma tentativa de cimentar boas relações entre a velha universidade e o observatório nacional. Houve ainda o cuidado de justificar a proposta com a oportunidade de se efectuar uma determinação das coordenadas geográficas daquela colónia portuguesa, e assim legitimar a expedição no âmbito da agenda colonial que progressivamente ganhava proeminência na vida politica nacional. Mas também neste caso a expedição foi cancelada no parlamento, por motivos que importa ainda aclarar, mas que provavelmente se prendem com efectivos entraves financeiros e com a calendarização tardia. Oom teve também que lidar com a falta do patrocínio real que possibilitara a fundação do Observatório. Depois da morte do seu irmão e antecessor, D. Luís concedera um donativo adicional de 10 contos de réis para a conclusão do observatório, sem jamais mostrar o interesse e entusiasmo de D. Pedro V. As diferenças entre as personalidades dos dois monarcas ajudam a explicar esta disparidade: Pedro, estudioso, austero, e ávido de intervenção directa nos assuntos políticos do reino (ao que a constituição liberal impunha limites), viu no OAL um símbolo de modernidade e sofisticação cultural que pouco apelo teria para o temperamento boémio e politicamente passivo do seu irmão. Em Dezembro de 1877, Oom e Rodrigues fizeram tocar música ao vivo durante uma chamada telefónica experimental que ligou ao OAL à Escola Politécnica, para que o melómano D. Luís, que ali se encontrava a participar na distribuição de prémios aos estudantes, a pudesse apreciar em directo através da recente invenção. O episódio enquadrava-se numa série de testes pioneiros que o OAL tinha vindo a conduzir em colaboração com o Observatório Infante D. Luiz. Não passou despercebido à pena mordaz de Ramalho Ortigão, que o ridicularizou nas Farpas, mas parece não ter tido qualquer impacto em termos de uma maior aproximação da Casa Real ao projecto que havia originalmente patrocinado. Alias, D. Luís, que vivia perto do OAL, no palácio da Ajuda, não terá sequer visitado o Observatório. Todas as dificuldades internas que afectavam o OAL acarretaram o seu progressivo alheamento da comunidade internacional, o que era quase paradoxal tendo em consideração a génese da instituição. Após os extensos contactos internacionais com vista à sua fundação, as colaborações directas com homens de ciência estrangeiros, no decurso da direcção de Oom, ter-se-ão reduzido ao apoio a oficiais norte-americanos que se deslocaram a Lisboa entre 1877 e 1879 para efectuarem medições de longitude. Em 1887 Oom participou na conferência realizada no Observatório de Paris, na qual foi oficialmente lançado o programa Carte du Ciel. Tal como o nome indica, tratava-se de uma ampla campanha internacional visando a produção de uma extensa carta celeste, por meio de observações fotográficas coordenadas entre um grande número de observatórios. À semelhança da expedição do transito de Vénus de 1882, também neste caso não e claro o que correu mal, mas muito provavelmente foi a incapacidade financeira para adquirir os necessários equipamentos que ditou a exclusão de Lisboa. Em 1889 Oom foi nomeado pela Sociedade de Geografia de Lisboa (da qual era membro desde 1876) para representar Portugal no no Congresso Internacional das Ciências Geográficas de Paris, mas não efectuou essa missão. Em 28 de Fevereiro de 1890 atingiu o posto mais alto na sua carreira militar, o de contra-almirante (havia sido promovido a capitão-tenente em 15 de Novembro de 1871, a capitão-de-fragata em 18 de Outubro de 1877, e a capitão-de-mar-e-guerra em 5 de Junho de 1884). Nesse mesmo ano, em que também foi condecorado com a Ordem da Avis, suicidou-se com um tiro de revólver no dia 24 de Julho, alegadamente por sofrer dores lancinantes e ver as suas capacidades progressivamente diminuídas devido a um tumor cerebral. Num escrito de carácter pessoal, lavrado em 1858 durante a fase inicial da viagem de ida para Pulkovo, considerara já a hipótese de suicídio. É possível que este desfecho trágico tenha resultado da convergência entre a doença, um temperamento melancólico e algo desconfiado (que ressalta de outros escritos de carácter privado) e a frustração de ter visto goradas as suas esperanças de liderar em Lisboa o grande observatório de astronomia estelar concebido pelos Struves. Sucedeu-lhe Campos Rodrigues na direcção do OAL, mas foi sobretudo devido à acção do seu filho Frederico Thomaz Oom (1864-1930, director do OAL entre 1919 e 1930) que o Observatorio atingiu o seu acme de excelência científica, já na viragem de século. Rodrigues aperfeiçoara ao máximo alguns dos instrumentos do observatório e refinara grandemente os métodos com eles empregues, mas foi Oom filho que se empenhou em colocar esse aparato ao serviço de grandes programas internacionais, merecendo destaque a contribuição do OAL para a determinação da paralaxe solar com base em observações do asteróide Eros, realizadas entre 1900 e 1901. Tratava-se de um programa subsidiário da Carte du Ciel, para o qual o observatório lisboeta contribuíra apenas com observações astrométricas tradicionais, mas efectuando-as com tal precisão que, em 1904, Campos Rodrigues recebeu uma distinção da Academia das Ciências de Paris. Frederico Thomaz Oom empenhou-se também em dar a conhecer à comunidade científica internacional as inovações técnicas e metodológicas de Rodrigues, bem como em fortalecer a frente pública do OAL, assumindo em pleno as tarefas de informar e esclarecer a sociedade civil em relação aos fenómenos astronómicos mais relevantes. A glória discreta da viragem de século teve vida curta e acabaria por confinar o OAL à velha tradição astrométrica e às técnicas desenvolvidas por Campos Rodrigues, mas foi o que mais se aproximou da grandiosidade originalmente planeada para o OAL e em vão perseguida por Frederico Augusto Oom. Obras de Frederico Augusto Oom «Observations», in Otto Struve (ed.), Observations de Pulkova, vol. III (St.-Pétersburg: Imprimerie de L’Academie Impériale des Sciences, 1870), pp. 139-199. «Observations faites a l’instrument des passages établi dans le premier vertical», in Otto Struve (ed.), Observations de Pulkova, vol. III (St.-Pétersburg: Imprimerie de L’Academie Impériale des Sciences,), pp. 227-237. «Aus einem Schreiben des Herrn Dr. F. A. Oom an den Herausgeber», Astronomische Nachrichten, 83 (1874) cols. 315-316. «Observations méridiennes de la grande comète 1881 III», Astronomische Nachrichten 104 (1882) cols. 7-12. Francisco da Ponte Horta, José Maria da Ponte Horta, Frederico Augusto Oom, Luiz Porfirio da Motta Pegado, «Parecer apresentado á Primeira Classe da Academia Real das Sciencias, ácerca de uma memoria do sr. Cypriano Jardim intitulada "Projecto de aerostato dirigivel", com um supplemento e additamento», Jornal de Sciencias Mathematicas, Physicas e Naturaes, XII, 48 (1888) 269-272. Instruções sobre o emprego de um “universal” como instrumento de passagens (Lisboa: Imprensa Nacional, 1895). Fontes biográficas secundárias Pedro M. P. Raposo, «Polity, precision and the stellar heavens: the Royal Astronomical Observatory of Lisbon (1857-1910)», tese de doutoramento, University of Oxford, 2010. |





