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Teixeira, Carlos Print E-mail

Carlos Teixeira (Aboim, 1910 – Lisboa, 1982)

Autoria: Teresa Salomé Mota

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Palavras chave: Geólogo, Faculdade de Ciências da Universidade do Porto, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, Serviços Geológicos, Geologia portuguesa do século XX, escola de investigação

Período: 1910 - 1982

Biografia

Carlos Teixeira nasce em Aboim, concelho de Fafe, no dia 23 de Setembro de 1910, filho de Joaquina Teixeira de Magalhães, solteira, e de pai desconhecido, e morre em Lisboa, a 7 de Junho de 1982. Crê-se que o pai terá sido um padre amigo do seu tio José Teixeira, também ele padre, e que, durante algum tempo, se hospedou em casa da família. Carlos Teixeira cresce numa família de lavradores com poucas posses, sendo o papel dos seus dois tios, José e Manuel Teixeira, fundamental na sua educação, tanto do ponto de vista material como espiritual.
Os primeiros anos da vida de Carlos Teixeira são passados em S. Pedro, freguesia de Rossas, concelho de Vieira do Minho, em contacto com a Natureza e a vida do campo, situação que terá sido responsável pelo seu apego à terra e pela sua sensibilidade relativamente às questões ambientais. Chegado à idade escolar, é levado pelo seu tio padre para Casas Novas, Redondelo, no concelho de Chaves, onde complementa a frequência da escola primária com o ensino ministrado, em casa, pelo tio. Entre 1922 e 1929 frequenta o liceu, primeiro em Chaves e, no último ano do curso complementar de ciências, em Braga.

Carlos Teixeira tem a intenção de cursar Medicina mas acaba por optar pela licenciatura em Ciências Histórico-Naturais, decisão ditada pela falta de dinheiro: a duração mais breve deste último curso, acaba por torná-lo menos dispendioso. A difícil situação financeira de Carlos Teixeira leva-o, enquanto estudante, a trabalhar como perfeito em dois colégios do Porto, a fim de suportar os custos do ensino universitário.
Carlos Teixeira ingressa na Faculdade de Ciências da Universidade do Porto (FCUP) no ano lectivo de 1929/1930 e termina a licenciatura em Ciências Histórico-Naturais em 1933, com quinze (15) valores. No mesmo ano, é convidado por Gonçalo António da Silva Ferreira Sampaio (1865-1937) — que foi seu professor e com quem tinha obtido uma boa classificação em Botânica — para assistente extraordinário desta cadeira na FCUP. Simultaneamente, Carlos Teixeira cursa Ciências Pedagógicas na Universidade de Coimbra e lecciona no Liceu de Braga.
O final da licenciatura coincide com a provável integração de Carlos Teixeira na escola de investigação liderada por António Augusto Esteves Mendes Correia (1888–1960) no Instituto de Antropologia da FCUP, por ele fundado e dirigido. Mendes Correia é professor catedrático do 1º grupo, Mineralogia e Geologia, da 3ª secção, Ciências Histórico-Naturais, da FCUP e, durante vário anos, até 1936, dirige, também, o Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico (MLMG). Mendes Correia lecciona as cadeiras de geologia, geografia física, paleontologia e antropologia quando Carlos Teixeira frequenta a licenciatura. A influência de Mendes Correia revelar-se-á decisiva no modo como Carlos Teixeira encara o conhecimento e a prática científica e crê-se que lhe terá mesmo servido de modelo quando o geólogo cria a sua própria escola de investigação na década de 1950.

Em 1937, Carlos Teixeira é contratado como naturalista do MLMG. Esta circunstância acaba por ser determinante na sua decisão de dedicar a vida científica e profissional à Geologia: Carlos Teixeira sempre atribuiu esta opção à influência de João Carrington Simões da Costa (1891–1982) e Domingos José Rosas da Silva (1896-1967), ambos naturalistas do MLMG e professores de Geologia na FCUP. É enquanto naturalista do MLMG que Carlos Teixeira inicia a preparação da tese de doutoramento dedicada ao Carbónico de Portugal e, em 1938, estagia em França, no Instituto Geológico da Universidade de Lille, na qualidade de bolseiro do Instituto para a Alta Cultura (IAC).
Em Lille, trabalha com os especialistas do Paleozóico superior Paul Bertrand (1879-1944), Pierre Pruvost (1890-1967) e Paul Corsin (1904-1983). Durante a sua estadia em França, Carlos Teixeira tem a oportunidade de, por um lado, contactar de modo continuado, pela primeira vez, com a prática científica num país estrangeiro e, por outro, de travar conhecimento com algumas figuras ligadas ao meio científico português que, tal como ele, eram bolseiros do IAC. Em Paris encontra-se com os geógrafos António de Medeiros Gouveia (1900-1972) e Orlando Ribeiro (1911-1997), com quem acabaria por desenvolver, de regresso a Portugal, relações de trabalho intensas e uma amizade duradoura. É igualmente em Paris que conhece o geólogo francês Georges Zbyszewski (1909-1999), que, em 1940, se estabelece em Portugal como geólogo dos Serviços Geológicos (SG), de quem também se torna amigo e com quem manterá uma significativa colaboração científica.

De regresso a Portugal, Carlos Teixeira faz parte do grupo de geólogos que, a partir da segunda metade da década de 1930, é responsável por um período de intensa actividade científica na FCUP e no MLMG, em particular. Em 1940, Carrington da Costa, Carlos Teixeira e João Manuel Cotelo Neiva (1917) criam a Sociedade Geológica de Portugal.
Carlos Teixeira obtém o doutoramento pela FCUP em 1944, o mesmo ano em que se torna colaborador oficial dos SG. Carlos Teixeira continua a ocupar o lugar de naturalista do MLGM até 1946 mas, neste ano, decide partir para Lisboa, ingressando como 1º assistente da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa (FCUL). Em 1948 realiza provas de agregação e, em 1950, torna-se professor catedrático. Admite-se que Carlos Teixeira terá sido o líder da primeira escola de investigação em Geologia existente em Portugal, sediada no Centro de Estudos de Geologia Pura e Aplicada da FCUL, criado pelo IAC em 1956, por iniciativa do geólogo.

Em Lisboa, Carlos Teixeira acaba por se envolver na actividade de numerosas instituições que, de uma forma ou de outra, se encontram ligadas à Geologia. Torna-se consultor e vogal da Junta de Energia Nuclear e chefia o Laboratório de Estudos Petrológicos e Paleontológicos da Junta de Investigações do Ultramar, onde também é vogal. É consultor benévolo de diversas outras instituições públicas.
Em 1952, Carlos Teixeira torna-se sócio correspondente da Academia de Ciências de Lisboa e, em 1960, sócio efectivo, ocupando a cadeira anteriormente atribuída ao seu mestre Mendes Correia. Em 1955, é eleito sócio correspondente da Real Academia de Ciências Exactas, Físicas e Naturais de Madrid. É sócio da Sociedade Geológica de França desde 1938, onde chega a desempenhar as funções de vice-presidente.
Carlos Teixeira tem ainda importância fundamental na defesa e desenvolvimento da Geologia em Portugal. Enquanto co-fundador da Sociedade Geológica de Portugal, que nasce com o objectivo de promover o reconhecimento científico e social da geologia e dos geólogos no seio da sociedade portuguesa, Carlos Teixeira desenvolve uma extensa actividade que encontra expressão em diversas publicações e comunicações orais, a maior parte de carácter académico. O empenhamento de Carlos Teixeira na defesa da Geologia e do papel dos geólogos na sociedade, extravasa o âmbito restrito da comunidade científica, adquirindo uma acentuada vertente pública, uma vez que o geólogo escreve sobre este assunto em diversos periódicos de divulgação.
Da obra científica de Carlos Teixeira constam quase quinhentos trabalhos, dedicados não apenas à geologia de Portugal continental, mas também à das antigas possessões coloniais portuguesas, onde, aliás, o geólogo se desloca diversas vezes, destacando-se, em 1960, a viagem à antiga Índia portuguesa como orientador científico da Missão Geológica do Estado da Índia. Carlos Teixeira representa Portugal em diversos encontros científicos internacionais, nomeadamente nas sessões do Congresso Internacional de Geologia realizadas em Copenhaga, em 1964, e em Praga, em 1968. Desenvolve, igualmente, extensa colaboração com geólogos espanhóis a fim de tratar problemas geológicos respeitantes, simultaneamente, a Portugal e a Espanha, tendo organizado e participado nas reuniões de geologia do Oeste peninsular e da região de Ossa-Morena. Das primeiras, resultam as cartas geológicas do Noroeste e do Sudoeste peninsulares.
O reconhecimento científico granjeado por Carlos Teixeira no seio da comunidade científica internacional é demonstrado pelas diversas novas formas fósseis descobertas que lhe são dedicadas, adquirindo o seu nome, como, por exemplo, Phylobatta Rosasi Teixeirae (fóssil referente a um andar do Carbónico).

Os primeiros trabalhos científicos de Carlos Teixeira datam de 1934 e são dedicados à Arqueologia, Antropologia e Etnologia, encontrando-se relacionados com a sua integração na escola de investigação liderada por Mendes Correia. Entre 1934 e 1937, as temáticas abordadas por Carlos Teixeira nos artigos que publica em periódicos científicos especializados versam, exclusivamente, as áreas científicas mencionadas. Até ao final da década de 1930, e ainda durante o ano de 1940, Carlos Teixeira continua a publicar, preferencialmente, nessas áreas, participando, nesse último ano, com três comunicações, no Congresso do Mundo Português. O interesse de Carlos Teixeira pela Antropologia, Etnologia e Arqueologia, e em particular por esta última, acabará por acompanhá-lo ao longo da vida.
É apenas em 1937, quando se torna naturalista do MLMG, que Carlos Teixeira publica os primeiros artigos científicos no âmbito da Geologia, mais especificamente, da Paleobotânica. O primeiro, no Boletim do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Universidade de Lisboa, é dedicado ao estudo de musgos do Carbónico português; o segundo, sobre o Estefaniano do Norte de Portugal, surge, em francês, no Bulletin de la Société Portugaise des Sciences Naturelles. As temáticas abordadas estão directamente relacionadas com a preparação da sua tese de doutoramento com o título O Antracolítico Continental Português (Estratigrafia-Tectónica).
Apesar de inicialmente Carlos Teixeira se ter centrado no estudo de formações geológicas anteriores ao Mesozóico — com destaque para as pertencentes ao Carbónico continental — no decorrer da sua carreira científica e profissional acabará por dedicar-se ao estudo de formações de, praticamente, todas as idades. Por outro lado, a sua investigação passa a abarcar diversas áreas da Geologia, possuindo muitos dos seus trabalhos um carácter global e abrangente e constituindo-se, deste modo, como verdadeiros estudos de geologia regional. Em suma, pode dizer-se que, mais do que dominar diferentes áreas de especialização no âmbito da Geologia, o trabalho de Carlos Teixeira — e de grande parte dos geólogos portugueses até ao último quartel do século XX — se caracteriza por uma visão global e generalista da Geologia, eminentemente descritiva e, à primeira vista, baseada em pressupostos teóricos cuja aceitação em contexto nacional não é, regra geral, problematizada. Esta visão encontra a sua expressão máxima na realização da cartografia geológica de Portugal e nos estudos de geologia regional a ela associados.

Enquanto colaborador dos SG, Carlos Teixeira é autor ou co-autor de uma parte significativa das folhas da Carta Geológica de Portugal na escala 1:50 000, sendo, também, o principal responsável pela 4ª edição, em 1972, da Carta Geológica de Portugal Continental na escala 1:500 000. Carlos Teixeira é considerado o geólogo de campo por excelência, tendo sido ele o responsável pela introdução da prática de campo sistemática na licenciatura em Ciências Geológicas — a partir de 1964, licenciatura em Geologia — da FCUL.
Todavia, a sua iniciação na prática da Geologia em contexto académico não foi diferente da que era habitual, na época, em Portugal: o trabalho de gabinete; concretamente, no caso de Carlos Teixeira, o trabalho de gabinete enquanto naturalista de MLMG. É preciso recuar aos anos da licenciatura em Ciências Histórico-Naturais para detectar o rasto das primeiras saídas de campo de Carlos Teixeira, realizadas sob orientação de Rui de Serpa Pinto (1907-1933), licenciado em Matemática e Engenharia Civil que acabou por se dedicar à investigação em Antropologia, Arqueologia e Geologia e que, em 1930, se tornou assistente do grupo de Mineralogia e Geologia da FCUP. Mais tarde, durante a preparação do doutoramento, a estadia de Carlos Teixeira no Instituto Geológico de Lille ter-se-á revelado fundamental, uma vez que a instituição era reconhecida enquanto escola de formação em trabalho de campo. De regresso a Portugal, a colaboração científica com os SG, em particular, com o geólogo Georges Zbyszewski e com os colectores da instituição, poderá ser entendida como uma derradeira etapa na formação de Carlos Teixeira enquanto geólogo de campo.

A importância institucional e a notoriedade científica adquiridas por Carlos Teixeira no contexto da comunidade científica nacional devem-se, em parte, às relações estabelecidas com personalidades que detiveram alguma relevância institucional e política durante o Estado Novo, como foi o caso de Carrington da Costa e Mendes Correia.
Quando, em 1937, Carlos Teixeira é contratado como naturalista do MLMG, substitui Carrington da Costa que se torna professor de Geologia na FCUP. Entre ambos acabam por se estabelecer laços de colaboração científica e de amizade que permanecerão durante toda a vida. O facto de Carlos Teixeira ter desempenhado funções na Junta de Investigações do Ultramar e na Junta de Energia Nuclear, deriva, certamente, das suas relações com Carrington da Costa, que é, a partir de 1954, vogal e membro da Comissão Executiva da Junta de Energia Nuclear e, de 1959 em diante, membro do seu Conselho Consultivo e da Comissão de Prospecção. Entre 1955 e 1967, Carrington da Costa é presidente da Comissão Executiva da Junta de Investigações do Ultramar.
Quanto a Mendes Correia, a par da sua carreira académica e científica, constrói um percurso político que se inicia em 1936 com a presidência da Câmara do Porto e o assento na Câmara Corporativa. Entre 1945 e 1957, torna-se deputado da Assembleia Nacional, onde as suas intervenções passam pela defesa da investigação e do conhecimento científico e durante as quais dá particular relevo à Geologia. Enquanto representante da nação, Mendes Correia utiliza a sua situação privilegiada para dar visibilidade e defender a Geologia e os geólogos, circunstância que, certamente, acaba por ter repercussão na carreira de Carlos Teixeira.
Por outro lado, a integração de Carlos Teixeira na escola de investigação liderada por Mendes Correia nos primeiros anos da sua vida científica, é da maior importância, uma vez que o geólogo se vai inspirar no seu mestre ao criar na FCUL, em 1956, a sua própria escola de investigação em Geologia. Carlos Teixeira é um líder carismático, o que lhe permite exercer uma liderança forte e efectiva, não só devido à sua competência científica, como por causa do seu significativo poder institucional: é professor catedrático da FCUL e detém cargos noutras instituições científicas públicas ligadas à Geologia, o que possibilita a colocação de diversos discípulos seus nessas instituições, nomeadamente em universidades e nos SG.

A liberdade de movimentos de Carlos Teixeira no seio dos SG é de tal modo significativa que, durante as décadas de 1960 e 1970, a instituição funciona como uma escola prática em Geologia, extensão da escola de investigação do geólogo na FCUL, que não possuía a infra-estrutura humana e material adequada ao exercício de trabalho de campo. É a existência desta escola prática nos SG que permite o estreitamento e a consolidação dos laços existentes entre estes e a FCUL.
O êxito científico e profissional alcançado por Carlos Teixeira deve-se, assim, à interacção de uma série de factores, que vão da sua inquestionável competência científica, às relações de proximidade que manteve com algumas personalidades ligadas ao Estado Novo, encontrando-se algumas dessas relações ainda por identificar. Apesar de um não comprometimento político objectivo com a ditadura, Carlos Teixeira soube aproveitar o carácter nacionalista do regime para fazer valer os seus interesses científicos e os da comunidade geológica em geral.

Catolicismo e valores republicanos entrecruzam-se na formação do carácter de Carlos Teixeira. Ele é um produto típico da educação pública republicana, como o demonstram os diversos testemunhos deixados por Carlos Teixeira relativamente ao ensino universitário e à prática científica. Nesses testemunhos, as palavras do geólogo ecoam as dos seus mestres Mendes Correia e Carrington da Costa, ambos republicanos, enaltecendo o professor universitário não apenas enquanto transmissor de conhecimentos mas, também, e sobretudo, enquanto investigador original e cientista comprometido com questões intelectuais e sociais. O conhecimento e a prática científicos são considerados fundamentais para o desenvolvimento e o ‘progresso’ do país, sendo dado particular relevo ao papel da formação de discípulos no contexto de escolas de investigação.
Mas também os valores transmitidos pela educação católica de Carlos Teixeira acabam por influenciar de modo significativo a sua prática científica. É ao catolicismo que o geólogo vai buscar valores como o trabalho árduo, a dedicação, o sacrifício e o desprendimento pelos bens materiais, que reforçam a construção de uma imagem em redor de Carlos Teixeira que não é, de todo, invulgar na retórica e iconografia científicas: a do cientista cujas excepcionais e invulgares características e capacidades lhe permitem devotar-se por completo à ciência. No caso de Carlos Teixeira, essa dedicação acaba por adquirir os contornos de um verdadeiro sacerdócio, reforçada pelo facto do geólogo ter permanecido solteiro, e encontrando uma espécie de culminar no final da sua vida, quando, cego devido à diabetes, continua, no entanto, a trabalhar, ditando os seus trabalhos a colaboradores e amigos.

Aspectos há da vida de Carlos Teixeira acerca dos quais se sabe ainda muito pouco. Apesar de se reconhecer o seu papel enquanto mestre, pouco se sabe, no entanto, acerca das características e modo de funcionamento da sua escola de investigação e de quem são os seus discípulos mais directos, assim como dos seus contactos e colaboradores, principalmente a nível internacional. Pouco conhecida é, igualmente, a acção de Carlos Teixeira enquanto divulgador científico. Ao longo da sua vida, o geólogo assina numerosos artigos em diversas publicações de divulgação científica, como a revista Naturália, publicada pela Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, e de cujos corpos gerentes chega a fazer parte, ou a contribuição para a enciclopédia Luso-Brasileira da Verbo, da qual é um dos directores. Carlos Teixeira interessa-se, igualmente, pelo ensino da Geologia, tanto a nível universitário como liceal, publicando diversos trabalhos sobre este tema. Paralelamente, o seu interesse recai, também, na formação dos professores de Geologia do ensino secundário, interesse que encontra eco na sua própria formação pedagógica. Carlos Teixeira é, ainda, em 1948, um dos fundadores da Liga para a Protecção da Natureza, escrevendo alguns artigos de divulgação sobre questões ambientais.

A imagem usufruída por Carlos Teixeira entre os geólogos portugueses, foi construída e perpetuada pelos seus amigos e discípulos mais directos a partir do seu desempenho científico e profissional e de algumas características do seu carácter. Essa imagem, assente na tónica da renúncia aos aspectos mais mundanos da vida e no sacrifício humano e material em prol da ciência, conduziram à fabricação de uma certa mitologia na comunidade geológica portuguesa, imagem essa que se encontra repleta de imprecisões e de pequenas ‘anedotas’.

Obras seleccionadas de Carlos Teixeira

Carlos Teixeira “Lycopodiales do Antrocolítico português”, Boletim do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Universidade de Lisboa, 6 (1937), 2ª série, 131-139

Carlos Teixeira “O Antracolítico do Norte de Portugal. Novos elementos para a sua classificação”, Publicações do Museu e Laboratório Mineralógico e Geológico da Faculdade de Ciências do Porto, 7 (1938), 1ª série, 1-16

Carlos Teixeira “Introdução”, Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, 1 (1941), 3 e 4

Carlos Teixeira “Sobre a fauna do Estefaniano do Norte de Portugal. Novos elementos para o seu estudo”, Anales de la Asociacion Española para el Progreso de las Ciencias, 3 (1942), 548-553

Carlos Teixeira, “Notas sobre a geologia do Triássico português”, Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, 3 (1942), 161-174

Carlos Teixeira, “O Antracolítico continental português e sua correspondência com as formações similares de Espanha”, Anales de la Asociacion Española para el Progreso de las Ciencias, 1 (1943), 83-92

Carlos Teixeira, Orlando Ribeiro e João Manuel Cotelo Neiva, “Depósitos e níveis pliocénicos e quaternários dos arredores do Porto (nota preliminar)”, Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, 1-2 (1943), 95-101

Carlos Teixeira, “O Antracolítico continental português (estratigrafia-tectónica)”, Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, 5 (1945), 1-139

Carlos Teixeira, A Universidade e a Investigação Científica (Porto: Junta de Investigação Matemática, 1945)

Carlos Teixeira, “Sur la flore fossile du Karrroo de Zambésie (Mozambique), Compte rendu sommaire des séances de la Societé Géologique de France, 13 (1946), 253-254

Carlos Teixeira, “Posição geológica dos granitos portugueses”, Técnica, 174 (1947), 369-374

Carlos Teixeira e A. Mendes Correia “A jazida pré-histórica de Eira Pedrinha (Condeixa)”, Memórias dos Serviços Geológicos de Portugal, 1949

Carlos Teixeira, “Geologia das ilhas de S. Tomé e do Príncipe e do Território de S. João Baptista de Ajudá”, Anais da Junta das Missões Geográficas e de Investigações Coloniais, 2 (1949), 1-20

Carlos Teixeira, O que vale a Geologia. Missão do geólogo (Lisboa: Edição de autor, 1950)

Carlos Teixeira, G. Zbyszewski, “Contribution a I'étude du littoral pliocène au Portugal” in Comptes Rendus de la 19eme Session, Congrès Géologique International, Alger, Argel, 1952, pp. 275-284

Carlos Teixeira, “L’évolution du territoire portugais pendant les temps ante-mésozoiques”, Publicações do Centro de Estudos de Geologia Pura e Aplicada, 1 (1957-1959), 1-29

Carlos Teixeira, “Cartografia geológica de Goa” in S/a, A Geologia de Goa. Considerações e Controvérsias (Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1960), pp. 139-160

Carlos Teixeira, Panorama da Geologia no Âmbito do Ensino e da Investigação Científica, (Lisboa: Edição de autor, 1967)

Carlos Teixeira , A. Cândido de Medeiros, “Mapa geológico da faixa litoral do Minho” in S/a, I Congreso Hispano-Luso-Americano de Geologia Economica, Madrid e Lisboa, 1971, pp. 175-177

Carlos Teixeira, “Protecção... ou desprotecção da Natureza”, Diário Popular de 14 de Abril de 1971, p. 7

Carlos Teixeira, L. Garcia Figuerola (dir.); F. Gonçalves e J. L. Hernandez Enrile (coord.), Mapa Geológico do Maciço Hespérico do Sudoeste da Península Ibérica na Escala 1/500 000 (Madrid: Departamento de Petrologia e Geoquimica de la Universidade de Salamanca/Instituto Geografico y Cadastral, 1975)

Carlos Teixeira, Geólogos... Para quê?! (Lisboa: Edição de autor, 1976)

Carlos Teixeira, Rogério Rocha e João Pais, Quadros de Unidades Estratigráficas e da Estratigrafia Portuguesa (Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1979)

Carlos Teixeira e Francisco Gonçalves, Introdução à Geologia de Portugal (Lisboa: Instituto Nacional de Investigação Científica, 1980)

Carlos Teixeira, Geologia de Portugal. Precâmbrico, Paleozóico, volume 1, (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1981)

Cartas Geológicas

27 folhas da Carta Geológica de Portugal na Escala 1:50 000 e respectivas Notícias Explicativas (1956 a 1974)

Carte Géologique du Nord-Ouest de la Péninsule Ibérique, Échelle 1/50 000 (1967)

Carta Geológica de Portugal na Escala 1:1 000 000 (1968)

Carta Geológica de Portugal na Escala 1:500 000 (1972)

Mapa Geológico do Maciço Hespérico do Sudoeste da Península Ibérica na Escala 1/500 000 (1975)

Fontes biográficas primárias

Arquivo Histórico do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

Arquivo Histórico da Faculdade de Ciências da Universidade do Porto

Arquivo Histórico do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia

Arquivo Histórico do Instituto de Investigação Científica e Tropical

Biblioteca do Laboratório Nacional de Engenharia e Geologia

Biblioteca do Museu de Ciência da Universidade de Lisboa

Fontes biográficas secundárias

Ana Carneiro e Teresa Salomé Mota, “Geology and Religion in Portugal: three peculiar case-studies” in The Historical Relationship of Geology and Religion, Abstracts and Field Guides, Eischtatt, Alemanha, 28 de Julho a 5 de Agosto de 2007 (Eischtatt: INHIGEO Meeting, 2007), p. 13

António Ribeiro, “Carlos Teixeira (1910-1982). O renascimento da geologia de campo no século XX” in Ana Simões (coord.), Memórias de Professores Cientistas. Os 90 Anos da FCUL, 1911-2001 (Lisboa: Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 2001), pp. 90-95

Francisco Gonçalves, Carlos Teixeira, Notícia Bio-bibliográfica, o Pedagogo, o Cientista, (Lisboa: Edição de autor, 1976)

Francisco Gonçalves, “Notícia bibliográfica sobre Carlos Teixeira”, Boletim da Sociedade Portuguesa de Ciências Naturais, XXII (1984-1985), 2ª série, 85-90

George Zbyszewski e Francisco Gonçalves, “Carlos Teixeira”, Comunicações dos Serviços Geológicos de Portugal, 69 (1983), 177-198

Orlando Ribeiro, “A personalidade de Carlos Teixeira” in Orlando Ribeiro, Opúsculos Geográficos, Volume I (Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1989), pp. 307-313

Rogério Rocha, “Carlos Teixeira (1910-1982) – uma vida devotada ao serviço da Ciência”, Boletim da Sociedade Geológica de Portugal, 25 (2009), pp. 19-24

Teresa Salomé Mota, “Os Serviços Geológicos entre 1918 e 1974: da Quase Morte a uma Nova Vida” (Tese de Doutoramento, Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa, 2007)

Teresa Salomé Mota, "Os Serviços Geológicos de Portugal: uma escola prática para geólogos", e-Terra, 1 (2010), volume 15